Repórter
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 08h42.
O primeiro debate entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro, realizado pela Band neste domingo, 9, foi marcado por ataques ao ex-governador Cláudio Castro (PL), acusações de ligação com o crime organizado, discussões sobre segurança pública e críticas ao favorito nas pesquisas, Eduardo Paes (PSD), que decidiu não participar do encontro.
Participaram do debate Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo). Paes alegou orientação jurídica para faltar ao evento, mas sua ausência dominou boa parte das discussões.
Líder nas pesquisas, Eduardo Paes foi citado diversas vezes pelos adversários. Douglas Ruas e André Marinho fizeram uma dobradinha para criticá-lo, chamando o candidato do PSD de "fujão" e relembrando declarações consideradas machistas feitas por ele durante sua gestão como prefeito.
Ruas também mencionou uma antiga investigação envolvendo Pedro Paulo (PSD), aliado de Paes e candidato ao Senado, para reforçar críticas ao grupo político do ex-prefeito.
A violência foi o principal tema da noite. Os candidatos apresentaram propostas para combater o crime organizado e retomaram discussões sobre operações policiais, ocupação de territórios dominados por facções e valorização das forças de segurança.
Anthony Garotinho defendeu uma versão reformulada do Bope para ocupar permanentemente áreas controladas pelo tráfico. Douglas Ruas prometeu revisar o sistema de metas da segurança pública e fortalecer a atuação policial.
William Siri afirmou que pretende ampliar a integração com a Polícia Federal para combater organizações criminosas.
William Siri e Anthony Garotinho concentraram ataques contra Douglas Ruas, associando o candidato do PL ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar e ao ex-governador Cláudio Castro, ambos alvo de investigações.
Garotinho também atacou Eduardo Paes, citando antigas alianças políticas do ex-prefeito com parlamentares investigados por ligação com milícias.
Ruas negou qualquer relação com grupos criminosos e afirmou que possui "identidade própria".
O desgaste da gestão de Cláudio Castro apareceu diversas vezes durante o debate. Ruas tentou se desvincular tanto do ex-governador quanto de Rodrigo Bacellar, apesar de já ter integrado o governo estadual como secretário.
Garotinho explorou essa ligação e comparou a estratégia de Ruas à adotada por Luiz Fernando Pezão em 2014, quando tentava se afastar da imagem de Sérgio Cabral.
Os candidatos também fizeram acenos para a eleição presidencial de 2026.
Douglas Ruas agradeceu ao ex-presidente Jair Bolsonaro e reforçou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto. André Marinho declarou voto em Romeu Zema no primeiro turno e disse apoiar qualquer candidato da direita em um eventual segundo turno.
William Siri confirmou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Garotinho voltou a se posicionar como crítico tanto de Lula quanto da família Bolsonaro.
*Com O Globo