Presidente Lula e senador Flávio Bolsonaro são os principais pré-candidatos na eleição deste ano (Odd Andersen/AFP/Reprodução/Redes Sociais/Montagem EXAME)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 09h00.
Última atualização em 10 de agosto de 2026 às 09h09.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 44% das intenções de voto no primeiro turno, ante 40% do senador Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com pesquisa realizada pela Palver. Pela margem de erro da pesquisa, a vantagem de Lula pode variar entre 1 e 8 pontos percentuais.
Na simulação de um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, ambos aparecem com 46% das intenções de voto, tecnicamente empatados. Outros 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto, não votariam ou não sabem em quem votar.
O levantamento foi registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06596/2026 e ouviu 5.000 pessoas entre os dias 3 e 7 de agosto. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais.
No cenário de primeiro turno, Renan Santos (Missão) aparece em terceiro lugar, com 10%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 2%, e por Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), com 1% cada.
Em uma segunda simulação, em cenário estimulado e com uma lista menor de candidatos (Lula, Flávio, Renan Santos, Caiado e Zema), Lula chega a 46%, enquanto Flávio permanece com 40% e Renan mantém os 10%.
Nesse cenário, o presidente tem vantagem expressiva entre as mulheres, com 53% contra 38% de Flávio, enquanto o senador lidera entre os homens, por 41% a 36%. Lula também amplia sua votação conforme aumenta a faixa etária: tem 34% entre eleitores de 16 a 34 anos, 49% entre os de 35 a 59 anos e 56% entre aqueles com 60 anos ou mais.
O levantamento também mostra uma disputa marcada por forte polarização. Questionados sobre qual resultado da eleição lhes causaria mais medo, 45% citaram a reeleição de Lula e outros 45%, uma vitória de Flávio Bolsonaro; 8% disseram temer os dois desfechos.
Ao mesmo tempo, 55% desaprovam a maneira como Lula conduz seu trabalho como presidente e 45% aprovam. A percepção retrospectiva sobre a economia é majoritariamente negativa, com 50% afirmando que a situação econômica do país piorou nos últimos 12 meses, contra 34% que perceberam melhora. Para os próximos 12 meses, porém, há mais otimismo: 47% esperam melhora da economia brasileira, enquanto 35% projetam piora.
Um elemento que já entrou na campanha, mas que não pode ser dimensionado por esta pesquisa, é o chamado “fator Lulinha”, relacionado ao possível impacto eleitoral das investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. O levantamento da Palver não fez nenhuma pergunta específica aos entrevistados sobre as investigações envolvendo Lulinha, e, portanto, os resultados não permitem concluir se o caso já interfere na intenção de voto ou na avaliação do governo. As datas em que o levantamento foi feito, porém, coincidem com momentos em que o filho do presidente foi notícia por suas investigações.
A pesquisa tampouco questionou os eleitores diretamente sobre o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, que deixou a campanha do petista após ter admitido que recebeu empréstimo da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e investigada no inquérito que apura eventual tráfico de influência do filho do presidente em benefício de Roberta junto ao Ministério da Saúde. Marcola, como é conhecido o ex-chefe de gabinete do presidente, disse ter quitado o empréstimo com R$ 249 mil.
A pesquisa foi realizada por questionário online, com amostra não probabilística e recrutamento por anúncios em redes sociais; os dados foram posteriormente ponderados por critérios demográficos, geográficos, socioeconômicos e pelo voto no segundo turno de 2022. A própria Palver ressalta que a margem de erro contempla a variabilidade amostral, mas não outras possíveis fontes de erro relacionadas ao recrutamento.