Repórter
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 07h20.
O desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos ficou praticamente estável no Pisa 2025, enquanto os resultados globais atingiram os piores níveis já registrados pela avaliação em matemática e leitura. No Brasil, 72% dos alunos não alcançaram o nível básico de proficiência em matemática, ante 31% na média dos países da OCDE.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 8, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A edição de 2025 foi a maior da história do exame, com cerca de 760 mil estudantes de 91 países e economias. No Brasil, participaram 30.140 alunos de 1.053 escolas.
O Pisa avalia estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Nesta edição, ciências foi o foco principal da avaliação, que também incorporou uma nova área sobre aprendizagem no mundo digital.
A principal característica do resultado brasileiro é a estabilidade. Segundo a OCDE, as médias do país em matemática, leitura e ciências ficaram próximas das registradas em 2022. O mesmo padrão se repete há mais de uma década: os resultados de 2025 estão próximos dos observados desde 2015 nas três disciplinas.
Isso não significa, porém, que o Brasil tenha alcançado um nível próximo ao dos países mais desenvolvidos. Os estudantes brasileiros continuam abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas.
Em matemática, 72% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível 2, considerado o patamar básico de proficiência. Na prática, são alunos que ainda não demonstram as habilidades mínimas para aplicar conhecimentos matemáticos em situações simples do cotidiano.
O resultado brasileiro também revela uma concentração menor de alunos nos níveis mais altos de desempenho. A proporção de estudantes que atingem os níveis 5 ou 6 em pelo menos uma das disciplinas é inferior à média da OCDE.
O cenário internacional ajuda a colocar o resultado do Brasil em perspectiva. A média dos países da OCDE chegou ao menor nível já registrado pelo Pisa em matemática e leitura. Em relação a 2015, a pontuação média caiu 22 pontos em matemática e 28 pontos em leitura, o equivalente a mais de um ano de escolarização em matemática e cerca de um ano e meio em leitura.
Em ciências, o quadro foi diferente: a média da OCDE ficou estável entre 2022 e 2025. Ainda assim, na comparação com 2015, houve queda de sete pontos.
O resultado fez com que um em cada cinco estudantes de 15 anos nos países da OCDE fosse classificado como de baixo desempenho simultaneamente em matemática, leitura e ciências. Em 2022, essa proporção era de 16%.
A deterioração da leitura é um dos pontos que mais preocupam a OCDE. A queda de 28 pontos na média dos países da organização desde 2015 equivale a aproximadamente um ano e meio de aprendizagem.
Para a organização, o problema tem efeito sobre outras áreas do ensino, já que a capacidade de interpretar textos é necessária para atividades como resolver problemas matemáticos, analisar fontes históricas e compreender experiências científicas.
A OCDE cita fatores como o aumento do uso de telas, a perda de interesse dos jovens pela leitura e mudanças na relação dos estudantes com a escola após a pandemia como possíveis elementos associados à deterioração dos resultados.
Os melhores resultados continuam concentrados na Ásia. As regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang e Singapura aparecem entre os sistemas de melhor desempenho nas três áreas.
Estônia, Japão, Coreia do Sul, Macau, Taiwan e Reino Unido também estão entre os dez melhores em matemática, leitura e ciências.
Na América Latina, Chile e Uruguai aparecem entre os sistemas mais bem posicionados da região, mas ainda ficam abaixo dos líderes globais.
O dado mais relevante para o país não é uma nova queda, mas a dificuldade de produzir uma melhora consistente. A OCDE aponta que os resultados brasileiros permanecem praticamente estáveis desde 2015, enquanto a proporção de estudantes abaixo do nível básico de matemática não mudou de forma significativa no período.
Em ciências, houve uma melhora específica: a parcela de alunos abaixo do nível 2 caiu quatro pontos percentuais desde 2015. Em matemática e leitura, porém, não houve mudança estatisticamente significativa nessa proporção.
O resultado coloca o país diante de um desafio diferente daquele observado em boa parte da OCDE. Enquanto os países mais ricos tentam reverter uma queda recente de desempenho, o Brasil continua tentando transformar anos de estabilidade em avanço efetivo.