Vorcaro havia pedido a oitiva presencial com Mendonça para relatar supostas ameaças e “graves intimidações”. O depoimento foi realizado na manhã de 27 de agosto, após autorização do ministro, e encaminhado à PGR para manifestação.
Em nota, o gabinete de Mendonça informou que a oitiva foi realizada em caráter de urgência por um juiz auxiliar que acompanha o caso. O depoimento ocorreu sem a participação de agentes da Polícia Federal responsáveis pela investigação.
A manifestação assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet afirma, porém, que Vorcaro não apresentou fatos concretos que justificassem a abertura de novas investigações. O órgão também afirmou que as declarações não trouxeram elementos suficientes para dar "verossimilhança às alegações."
A PGR citou ainda a rejeição anterior de uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. De acordo com o órgão, a Polícia Federal recusou o acordo por falta de informações inéditas, entendimento que também foi adotado pela própria Procuradoria após analisar o material apresentado pela defesa.
Para a PGR, o depoimento ao ministro não trouxe novos elementos capazes de alterar o cenário que levou à rejeição da colaboração nem indicou eventual vício de vontade que justificasse a retomada da negociação.
"Fatos por ele reputados inéditos podem já integrar o manancial sob custódia dos órgãos formais de apuração, esvaziando o valor intrínseco de eventual tratativa", afirma o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na manifestação.
O conteúdo da audiência está sob sigilo legal. Segundo o gabinete de Mendonça, não procede a informação de que tenham sido abordados, durante o depoimento, temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.