Alcolumbre: presidente do Senado fez uma referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (Jefferson Rudy/Agência Senado/Divulgação)
Repórter
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 21h03.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou nesta quarta-feira, 2, as cobranças de senadores da oposição para colocar em análise pedidos de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Durante sessão no plenário, Alcolumbre fez uma referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, ao mencionar os valores que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria prometido para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário [...] no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes", disse.
Segundo informações divulgadas pela revista Piauí, Vorcaro repassou US$ 1,6 milhão, cerca de R$ 8,5 milhões, em setembro do ano passado a um fundo americano que administrava recursos do filme Dark Horse. O dado consta em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O pagamento ocorreu oito dias depois de Flávio Bolsonaro cobrar parcelas que haviam sido prometidas pelo banqueiro e estavam atrasadas, segundo o site Intercept. Com o novo repasse, os valores enviados por Vorcaro chegaram a US$ 12,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 65 milhões.
As novas cobranças pelo impeachment de Moraes ganharam força após a divulgação de um relatório da Polícia Federal baseado na análise do celular de Vorcaro.
As mensagens fazem parte das informações obtidas pela Polícia Federal na análise dos celulares de Vorcaro, preso na operação Compliance Zero. Segundo o material divulgado nos autos, o ex-banqueiro teria pedido a Moraes que atuasse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF para ajudá-lo.
O material também inclui referências a Gonet e Rodrigues. Outras informações divulgadas apontam que Moraes teve acesso à minuta de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Mendonça afirmou que, independentemente da manifestação que ainda será apresentada pela PGR, o processo deverá ser levado ao plenário do Supremo. O ministro havia dado prazo de cinco dias para Gonet se manifestar sobre as informações.
Horas após a divulgação, Gonet pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal (PF) que cita as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master. O procurador-geral da República é citado nas mensagens.
Gonet disse, em sua manifestação, que a ordem do relator do caso do Banco Master no STF, o ministro André Mendonça, que determinou à PF que identificasse o destinatário de mensagens de Vorcaro sem um pedido do Ministério Público Federal ou da própria Polícia Federal, excede "os limites da competência" do magistrado.