Redação Exame
Publicado em 5 de junho de 2026 às 07h52.
Última atualização em 5 de junho de 2026 às 08h04.
A partir desta sexta-feira, 5, as duas maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), passam formalmente a integrar a lista de organizações terroristas do governo dos Estados Unidos.
A medida, anunciada pela gestão de Donald Trump no final de maio, entra em vigor em meio a intensos bastidores diplomáticos. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tentou reverter a decisão junto a Washington.
A mudança de status altera a abordagem das agências americanas. Ao deixarem de ser tratadas sob a ótica do narcotráfico e do crime organizado convencional, as facções entram no radar direto dos órgãos de contraterrorismo e inteligência dos EUA, como a CIA.
Embora auxiliares do presidente Lula descartem qualquer possibilidade de intervenções militares americanas em solo nacional, analistas alertam para impactos severos nas esferas econômica e institucional do Brasil.
A legislação antiterrorismo dos Estados Unidos é conhecida por seu alcance global e por impor punições rigorosas. Com a validação da medida, as principais frentes de impacto são:
O reflexo econômico da medida preocupa o mercado financeiro nacional.
De acordo com Feliciano Guimarães, diretor acadêmico do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), ouvido pelo g1, há um risco real de que bancos e grandes companhias brasileiras de capital aberto — incluindo gigantes como a Petrobras — sofram sanções diretas se forem associadas, mesmo que indiretamente, ao dinheiro das facções.
Investigações em andamento no Brasil, a exemplo da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, que mapeia a lavagem de dinheiro do crime organizado, podem ser cruzadas por agências americanas.
Se o ecossistema financeiro dos EUA detectar que alguma instituição brasileira movimentou recursos dessas facções, os mecanismos de punição econômica serão acionados automaticamente.
Outro ponto crítico está no compartilhamento de inteligência entre os dois países. Recentemente, uma força-tarefa havia sido costurada entre a Polícia Federal (PF) e o FBI para combater as facções de forma conjunta.
Com a entrada da CIA e de novos órgãos de contraterrorismo na equação do lado americano, a burocracia e as exigências de sigilo tendem a aumentar.
Especialistas apontam que a falta de coordenação entre as diferentes agências dos EUA pode travar os canais de diálogo já consolidados com a polícia brasileira, dificultando o combate ao crime organizado e abrindo espaço para que Washington passe a exercer pressão política direta sobre as diretrizes de segurança pública no Brasil.