Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 6 de junho de 2026 às 11h00.
A eleição presidencial de 2026 deve ser decidida por uma pequena parcela do eleitorado que vive nas franjas das grandes cidades do Sudeste e não possui identificação partidária consolidada.
A avaliação é de Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia, que aponta esse grupo como o principal alvo das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a pesquisadora, o Brasil segue dividido entre dois grandes polos políticos, mas o resultado da disputa não dependerá necessariamente dos eleitores mais engajados ideologicamente.
“Quem vai decidir de fato essa eleição são 3% do eleitorado que são apartidários, que vivem nas franjas das grandes capitais do Sudeste, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte”, afirmou Schulman durante participação no programa Eleições em Pauta, da EXAME.
Para ela, trata-se de um eleitorado que costuma avaliar os governos a partir de resultados concretos e questões ligadas ao cotidiano, como emprego, renda, segurança e acesso a serviços públicos.
“É um eleitorado que quer resultados. Não é um eleitorado que está nessa discussão ideológica e nessa briga de rede social”, disse.
A análise ajuda a explicar por que campanhas presidenciais costumam concentrar esforços em regiões metropolitanas populosas, especialmente no Sudeste, onde se encontra uma parcela significativa dos eleitores indecisos e menos vinculados a partidos políticos.
Nas últimas semanas, Flávio passou dois dias em Minas Gerais, enquanto Lula tem concentrado entregas nos estados do Sudeste.
O presidente Lula busca recuperar popularidade com programas de estímulo à renda e ao crédito, enquanto Flávio e outros nomes da direita tentam consolidar um discurso capaz de reunir eleitores descontentes com o governo federal.
Na visão da CEO do Ideia, o comportamento desse grupo de eleitores será determinante para definir não apenas quem chegará ao segundo turno, mas também quem terá vantagem na reta final da campanha.Apesar das discussões sobre uma terceira via ou uma alternativa ao bolsonarismo, Schulman avalia que a disputa permanece organizada em torno de dois grandes campos políticos.
“O Brasil se divide entre esses dois polos até aqui”, afirmou.