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Onde estão as terras raras em Goiás, que despertam interesse dos EUA

Estado tem iniciativas em três cidades, sendo que a maior delas recebeu mais de US$ 500 milhões em investimentos dos EUA

Terras raras em Goiás: funcionário da Serra Verde analisa minerais  (Serra Verde/Divugação )

Terras raras em Goiás: funcionário da Serra Verde analisa minerais (Serra Verde/Divugação )

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 23 de março de 2026 às 11h18.

Última atualização em 23 de março de 2026 às 12h47.

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O estado de Goiás avançou bastante nos últimos meses em medidas para acelerar a exploração de terras raras. Um desses passos foi a assinatura de um memorando de entendimento com os Estados Unidos, na semana passada.

O Brasil tem a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, depois da China, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O país, no entanto, ainda explora pouco esses recursos, pois sua extração e processamento exigem tecnologias que ainda não possuímos.

Goiás é um dos estados com as maiores reservas desses minerais, usados em tecnologias de ponta, como baterias, painéis solares e chips de última geração. Além disso, o Estado abriga a única unidade de processamento de terras raras pesadas da América Latina, em Minaçu, no norte do Estado, que começou a operar em 2024.

A planta é da mineradora Serra Verde, empresa fundada pela Denham Capital, uma empresa de investimentos em novas energias, dos EUA. Em 2025, a Serra Verde recebeu um financiamento de US$ 565 milhões do governo americano.

"O financiamento transformará nossa posição competitiva, permitindo a expansão da capacidade, a consolidação de um perfil mais baixo de custos operacionais e a melhoria da qualidade do produto", disse Thras Moraitis, CEO da Serra Verde, em carta aberta em fevereiro.

A empresa também busca recursos junto ao BNDES. "O programa de otimização das operações da Serra Verde encontra-se agora integralmente financiado, e os trabalhos para expandir a produção para 6.500 toneladas de óxido total de terras raras até o final de 2027 avançam dentro do orçamento e à frente do cronograma", afirmou.

"Nosso produto contém altas proporções de disprósio e térbio, terras raras pesadas (“ETRPs”) que são escassas e vitais para uma ampla gama de aplicações nas indústrias automotiva, eletrônica, de energia renovável, aeroespacial, nuclear e de defesa, entre outras", disse o CEO.

Em Minaçu, segundo a empresa, há um depósito de elevada concentração de terras raras pesadas e leves de alto valor, principalmente neodímio (Nd), praseodímio (Pr), térbio (Tb) e disprósio (Dy), elementos usados na produção de ímãs permanentes e de produtos para os setores de defesa, nuclear, aeroespacial e outros setores industriais.

Mapa terras raras goiás

Nova Roma e Iporá

O segundo projeto de terras raras em Goiás fica em Nova Roma, onde a expectativa é que os investimentos no processamento de argilas iônicas devam alcançar R$ 2,8 bilhões e gerar 5.700 empregos.A iniciativa é tocada pela empresa Aclara Resources.

Além disso, há outra iniciativa em Iporá. Lá, estão previstos investimentos privados de R$ 550 milhões para a prospecção de 52 milhões de toneladas de terras raras, a serem feitos pela mineradora canadense Appia Rare Earths & Uranium Corp.

“Concluímos esse mês a medição do primeiro recurso em 52 milhões de toneladas de reservas de terras raras em um projeto que indica ter uma quantidade muito superior a essa. O teor está acima da média mundial para o tipo de depósito que é de argila iônica”, disse o representante da Appia no Brasil, Antonio Vitor, durante um evento em maio de 2024, quando o investimento foi anunciado.

Acordo de minerais críticos: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA, assinaram termo em São Paulo

Acordo de minerais críticos: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA, assinaram termo em São Paulo (Rafael Balago/Exame)

Acordo entre EUA e Goiás

Na semana passada, os governos dos Estados Unidos e de Goiás assinaram um memorando de entendimento para aumentar o acesso de empresas americanas a minerais críticos e terras raras no estado.

O acordo tem três pilares. Será realizado um levantamento de todo o potencial mineral de Goiás, em parceria com o governo americano. Em seguida, o Estado terá prerrogativas para identificar as áreas de interesse e criar políticas para a exploração de minerais naquelas áreas.

O terceiro ponto do memorando prevê parcerias técnicas, para que os minerais não sejam apenas extraídos, mas processados em Goiás.

"Junto com as universidades, [vamos] desenvolver em parceria com o governo americano as tecnologias. A separação desses minerais críticos é complexa. É uma técnica que os americanos têm e que nós ainda estamos em uma fase ainda muito rudimentar", disse o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), após assinar o acordo, em uma cerimônia no Consulado dos EUA em São Paulo.

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