O risco Rodrigo Maia

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) deve oficializar nesta terça-feira o que até os implantes de Eike Batista já dão como certo: é candidato a um novo mandato como presidente da Câmara. Ele continua a ser o favorito para o pleito, mas sua vitória, dada como certa até o final de semana, está ficando menos incerta a cada dia.

Ainda hoje o PT, dono da segunda maior bancada da casa, deve definir que rumo tomar. O partido estava praticamente na canoa de Maia, mas repensou a estratégia depois de uma forte reação interna – um grupo crescente de militantes não quer apoiar o candidato oficial do governo que sucedeu Dilma Rousseff. Outro partido de esquerda, o PSOL, também pode lançar candidato hoje.

Ontem, os principais adversários de Maia se uniram com o intuito de levar a disputa para o segundo turno. São eles: Jovair Arantes (PTB-GO), André Figueiredo (PDT-CE), Rogério Rosso (PSD-DF) e Júlio Delgado (PSB-MG). Uma nova ação foi movida pelo grupo no Supremo Tribunal Federal questionando a validade da candidatura de Maia – já são três correndo na Corte. Mas, atarefado com a Lava-Jato, o Supremo tende a lavar as mãos. A presidente da corte, Cármen Lúcia, não pautou o assunto para a primeira sessão do ano, marcada para quarta. A eleição na Câmara ocorre na quinta.

Esse ambiente conturbado não estava nos planos do governo. A ideia é que Rodrigo Maia fosse eleito com tranquilidade, no primeiro turno, para sinalizar que o Planalto mantém intacta sua capacidade de articulação com o Congresso, que será fundamental para aprovar pautas como a Reforma da Previdência. Com a Lava-Jato avançando, o governo precisa das reformas para sinalizar que, apesar da crise política, o país segue no prumo. A vitória de Maia é fundamental para o Planalto. Serão dias movimentados à frente.

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