Lula: em encontro no G7, presidente afirmou que 'nunca foi esquerdista'
Repórter
Publicado em 17 de junho de 2026 às 11h19.
Última atualização em 17 de junho de 2026 às 11h27.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que "o mundo não é de esquerda" em vídeo divulgado pelo site Metrópoles. Durante cúpula do G7, enquanto conversava com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula afirmou que "nunca foi esquerdista".
O presidente argumentou que governos de direita — citando os republicanos nos Estados Unidos e os conservadores na França — costumam permanecer mais tempo no poder do que governos de esquerda, o que, para ele, mostra que o mundo não tem inclinação ideológica fixa.
"O que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade", disse.
Georgieva comentou que, quando Lula assumiu a Presidência em 2003, existia uma expectativa internacional de que ele governaria como um esquerdista, algo que, segundo ela, não se confirmou na prática.
➡️ CÚPULA DO G7 | A voz do presidente Lula vazou em uma reunião do G7 em Evian, na França. pic.twitter.com/P7LEoErMJi
— Metrópoles (@Metropoles) June 17, 2026
"Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical com uma belíssima relação com o sindicalismo alemão. Tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação boa com a UGT da Espanha”, afirmou o presidente.
Na mesma conversa, o presidente recordou um episódio específico do início de sua trajetória política: a recusa de um convite para participar de um congresso na União Soviética, em 1980.
Segundo Lula, ele não foi ao evento porque havia sido condenado pela Lei de Segurança Nacional na época, e optou por fazer uma viagem pela Europa em busca de apoio internacional para sua causa sindical.
O episódio, segundo ele, acabou gerando o rótulo oposto, e ele "passou a ser visto como anticomunista por setores que esperavam sua presença no congresso soviético".
A passagem de Lula pelo G7 tem como pauta principal as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, depois que uma investigação da representação comercial americana recomendou tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Antes de embarcar, o presidente afirmou que usaria a cúpula para defender o multilateralismo e tentar reverter o quadro tarifário, embora auxiliares considerem pouco provável uma reversão completa da medida.
Não há reunião bilateral confirmada com Donald Trump, mas integrantes do governo brasileiro não descartam uma conversa informal entre os dois durante o encontro.
A agenda de Lula na França também inclui encontros com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.