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Em meio a críticas, Lula se reúne com CEO do Google e discute investimentos

Presidente teve uma reunião com dirigente da big tech em meio a cúpula global sobre governança da Inteligência Artificial

Lula, durante encontro com o CEO do Google, Sundar Pichai, na Índia

Lula, durante encontro com o CEO do Google, Sundar Pichai, na Índia

Luciano Pádua
Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 11h10.

Última atualização em 19 de fevereiro de 2026 às 11h13.

NOVA DÉLI* - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta quinta-feira, 19, com o CEO do Google, Sundai Pichai. No encontro, Lula apresentou a visão brasileira para a Inteligência Artificial (IA) e oportunidades de investimento em datacenters no Brasil.

"Pichai falou da importância do Brasil para o Google, dos investimentos da empresa no país, da abertura do Centro de Engenharia em São Paulo, e as ações de infraestrutura e parcerias com o setor público", disse Lula em postagem no X.

Segundo o presidente brasileiro, a reunião tratou da preocupação da gestão brasileira com os riscos da IA, especialmente para meninas e mulheres, e abordou a proposta de marco regulatório em discussão no Congresso Nacional, com medidas de proteção para a indústria criativa brasileira.

"O Google sinalizou o compromisso de aprofundar a parceria com o governo brasileiro e de ampliar as ações com o setor privado no país", afirmou Lula.

O encontro ocorreu no mesmo dia em que Lula fez duras críticas às chamadas big techs. Em discurso na Cúpula de IA, na Índia, o petista apontou que a regulamentação das big techs está "ligada ao imperativo de salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países".

Para ele, o modelo atual de negócios dessas empresas depende da "exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política".

"Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação", afirmou, em discurso.

Ao longo do dia, Lula também se encontrou com o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovic.

Missão na Índia

Lula faz uma visita de Estado na Índia até domingo, 22. Esta é a segunda vez que ele vai ao país neste mandato e, dessa vez, em retribuição a uma visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, no ano passado após a cúpula dos Brics.

O presidente é acompanhado de uma comitiva de 11 ministros e mais de 300 empresários. Um dos principais objetivos da viagem é fortalecer os laços comerciais entre as nações.

Brasil e Índia tiveram uma corrente de comércio de US$ 15 bilhões em 2025, um aumento de 25% em relação ao ano anterior. A meta entre os países é de chegar a pelo menos US$ 20 bilhões até 2030.

Mas a expectativa entre participantes da comitiva brasileira é de que o fluxo de comércio seja bem maior. O presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, disse que o comércio bilateral tem potencial para US$ 100 bilhões.

A partir desta sexta-feira, 20, uma série de anúncios de investimentos deve ser feitos, segundo apurou EXAME.

A ApexBrasil vai abrir um escritório na Índia, na expectativa de facilitar negócios. Algumas das áreas com oportunidades abertas são no etanol, em fertilizantes e em terras raras, com beneficiamento no Brasil.

Depois da Índia, Lula vai à Coreia do Sul, num movimento para fortalecer as relações do país com a Ásia.

*O jornalista viajou a convite da ApexBrasil

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