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Como a China construiu um gigante do sportswear longe dos holofotes

Anta controla nomes como Salomon e Arc’teryx e fica atrás só da Nike e da Adidas no segmento

Anta: como a empresa chinesa está se consolidando no sportswear — silenciosamente (Reprodução/IC)

Anta: como a empresa chinesa está se consolidando no sportswear — silenciosamente (Reprodução/IC)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 12 de março de 2026 às 15h14.

Por trás de algumas das marcas esportivas mais reconhecidas do mundo, existe um nome pouco conhecido fora da Ásia: a Anta Sports. A companhia chinesa tem escalado silenciosamente na lista do sportswear global e já ocupa o terceiro lugar entre as empresas do setor, atrás apenas de Nike e Adidas.

Com receita anual superior a US$ 12 bilhões em 2025 e valor de mercado estimado entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões em 2026, a Anta construiu um portfólio que combina marcas globais voltadas ao público esportivo. Tudo isso com uma estratégia baseada menos em marketing e mais em aquisições de nomes com grande herança esportiva.

Esse movimento acontece em um momento de expansão do chamado athleisure — segmento que mistura moda e esporte. Segundo estimativas da Fortune Business Insights, o setor foi avaliado em US$ 220,3 bilhões em 2025 e deve crescer para mais de US$ 400 bilhões até 2034, impulsionado pela popularização de estilos de vida ativos com a incorporação de roupas esportivas no cotidiano.

A mudança acompanha também o comportamento dos consumidores. Segundo um relatório do Business of Fashion, 84% dos consumidores americanos e 94% dos chineses consideram o bem-estar uma prioridade importante ou máxima.

Ao longo dos últimos anos, a companhia comprou e passou a desenvolver marcas tradicionalmente associadas à Europa ou aos Estados Unidos. Entram na lista Salomon, Arc’teryx e Wilson, controladas pela Amer Sports — conglomerado do qual a Anta é proprietária — além da Fila na China.

Um dos movimentos mais recentes da Anta foi a aquisição de 29% da Puma da Kering por US$ 1,8 bilhão. A operação, que deve ser concluída até o fim de 2026, visa reposicionar a marca alemã e acelerar sua expansão internacional, sobretudo no mercado asiático.

O CEO da Puma, Arthur Hoeld, afirmou ao BoF que a meta é recolocar a empresa entre as três maiores do setor até 2027. Para isso, a marca passará por um reposicionamento, que deve mirar segmentos premium.

A estratégia da Anta segue um padrão claro: adquirir marcas com tradição consolidada, manter sua identidade e ampliar escala por meio do mercado consumidor chinês, que é enorme. Em vez de competir apenas por preço, a companhia vai pelo caminho do reposicionamento e valor agregado, melhorando as operações e o caráter técnico dos logos sob seu controle.

O caso da Fila, por exemplo: a Anta comprou os direitos da marca na China em 2009 e a reposicionou como uma etiqueta premium de lifestyle esportivo. A estratégia aproveitou a nostalgia da marca para criar um negócio lucrativo e consolidar sua presença no athleisure.

Com o tempo, o portfólio passou a abranger diferentes nichos do esporte e do estilo de vida ativo — da performance em esportes de inverno a calçados e roupas para o dia a dia. Dessa forma, o grupo atende a diferentes ocasiões de consumo com marcas distintas.

É o caso da Salomon — historicamente associada ao esqui, a marca expandiu sua atuação para esportes de montanha e para o mercado de lifestyle esportivo. Uma das estratégias para essa virada inclui a abertura de lojas-conceito em locais emblemáticos, como a Champs-Élysées, em Paris, "promovendo sua expertise", segundo análise de LeRolland para o WWD.

O império silencioso da Anta também vem, em partes, do desempenho financeiro das subsidiárias. A Amer Sports registrou alta de 29,7% nas receitas no terceiro trimestre de 2025, alcançando US$ 1,76 bilhão, impulsionada pelas marcas Salomon e Arc’teryx.

A expansão internacional é outro pilar da estratégia. A Anta tem investido em vendas diretas ao consumidor, tanto via comércio eletrônico quanto via lojas físicas em mercados estratégicos, incluindo China, América do Norte e Europa. Hoje, o grupo opera mais de 7 mil lojas em diferentes regiões.

Ao mesmo tempo, a empresa tenta manter a identidade das marcas do portfólio, o que pode ser um desafio em conglomerados globais. No caso da Puma, por exemplo, a Anta criou um marca "programa de reset", iniciado antes da aquisição, para reorganizar a distribuição de produtos e estoques.

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