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Modelo do MEI é deficitário, mas governo adia debate sobre Previdência

Ministro diz que não haverá aumento da contribuição previdenciária, apesar de reconhecer desequilíbrio estrutural no financiamento do regime

Hoje, MEIs podem ter faturamento anual de até R$ 81 mil (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket /Getty Images)

Hoje, MEIs podem ter faturamento anual de até R$ 81 mil (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket /Getty Images)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 28 de junho de 2026 às 07h59.

Enquanto prepara um projeto para ampliar o teto de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs), o governo Lula decidiu deixar para depois uma discussão considerada inevitável por integrantes da própria equipe: o desequilíbrio previdenciário gerado pelo atual modelo de contribuição da categoria.

Em entrevista à EXAME, o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, afirmou que o governo não pretende elevar, neste momento, a contribuição previdenciária paga pelos MEIs, apesar de reconhecer que o desenho atual do sistema precisará ser revisto no futuro.

“Não existe nenhuma proposta de aumento tributário sobre a mesa. Nosso objetivo é fortalecer o sistema, ampliar as oportunidades para os microempreendedores e atualizar os parâmetros do MEI, sem aumentar os tributos”, afirmou.

LEIA A ÍNTEGRA: Desenrola para MEIs vai refinanciar R$ 12,4 bilhões em dívidas, diz ministro

Atualmente, os microempreendedores individuais contribuem com 5% do salário mínimo para a Previdência Social — valor que especialistas frequentemente apontam como insuficiente para sustentar, no longo prazo, o equilíbrio atuarial do sistema.

Pela proposta em elaboração pelo governo, o teto de faturamento anual dos MEIs será ampliado gradualmente, chegando a R$ 140 mil até 2028, sem qualquer reajuste na alíquota de contribuição.

O custo fiscal estimado da medida é de aproximadamente R$ 2 bilhões por ano.

Apesar da decisão de não mexer agora no modelo, o próprio ministro reconheceu que a discussão sobre financiamento previdenciário tende a se tornar inevitável diante das mudanças demográficas do país.

“No longo prazo, o Brasil precisará discutir o financiamento da Previdência diante do envelhecimento da população e das transformações no mercado de trabalho. Mas essa é uma discussão para os próximos anos. Neste momento, não existe qualquer previsão de aumento da contribuição paga pelos microempreendedores individuais.”

A fala sinaliza que o governo prefere evitar, neste momento, um debate politicamente sensível envolvendo tributação sobre pequenos empreendedores, mesmo reconhecendo que o atual desenho do regime carrega fragilidades estruturais.

A decisão também ocorre em meio ao esforço do governo para preservar sua agenda de apoio ao empreendedorismo sem abrir novas frentes de desgaste político junto a uma base de cerca de 17 milhões de brasileiros formalizados sob o modelo do MEI.

Acompanhe tudo sobre:MEI (microempreendedor individual)

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