Gustavo Felix, diretor presidente da RNI
Redatora
Publicado em 15 de julho de 2026 às 18h02.
O primeiro crachá de Gustavo Felix de Moraes não dizia diretor, nem gerente — dizia operador de caixa. Vinte e cinco anos depois, ele assina como diretor presidente da Rodobens Negócios Imobiliários (RNI), incorporadora e construtora com mais de 30 anos de atuação que, sob sua gestão comercial, cruzou a marca de R$ 1 bilhão em vendas brutas em 2022. posteriormente assumiu a presidência, onde liderou a reestruturação operacional e financeira da companhia.
Entre um ponto e outro dessa trajetória, há uma constante que o executivo trata como método: voltar à sala de aula sempre que o cargo pede uma competência que ele ainda não domina. Foi assim que, já no topo da companhia, decidiu cursar o FECC, programa de Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros da Saint Paul Escola de Negócios.
"Sempre procurei fazer um curso relacionado ao que eu estava exercendo, exatamente para trazer esse algo a mais", diz.
A carreira começou no varejo, onde Felix passou os primeiros anos na operação de caixa. Em 12 meses, foi promovido a encarregado, a primeira experiência de gestão de uma sequência que o levaria, décadas depois, à diretoria comercial, de marketing e de crédito imobiliário da RNI e, na sequência, à presidência.
Os resultados continuaram a marcar sua trajetória. Já na presidência da RNI, aliou a experiência executiva aos conhecimentos adquiridos ao longo da formação e liderou a reestruturação operacional e financeira da companhia, reduzindo a dívida líquida em R$ 339 milhões nos dois primeiros anos de gestão.
Com o negócio nos trilhos, Felix identificou a própria lacuna. A carreira inteira construída sobre vendas lhe dera visão de margem, custo e DRE, mas não a leitura estratégica de finanças que a cadeira de presidente exige.
“Eu tinha uma boa base financeira, mas queria aprofundar a visão estratégica que a posição de presidente exige”, diz.
O objetivo era claro: “Não ficar completamente dependente do meu CFO e conseguir trazer elementos que agregassem em melhores decisões da companhia.”
A escolha pelo FECC, e não apenas pela leitura por conta própria, também foi calculada. Voltado a executivos C-Level e conselheiros, o programa aprofunda temas como finanças corporativas, valuation, M&A, governança, funding e tomada de decisão estratégica.
Para Felix, participar diretamente das discussões criava um repertório acessível: mesmo aquilo que não ficava claro de imediato poderia ser resgatado depois, quando uma decisão exigisse esse conhecimento.
A aplicação prática veio antes do diploma. Enquanto cursava o módulo de valuation no FECC, Felix participava, na vida real, da oferta pública de aquisição de ações que marcou o processo de fechamento de capital da companhia.
O conhecimento novo transbordou para o dia a dia: caixa, funding, processo de compra e venda, exposição de estoque. “Passei a compreender melhor como transformar indicadores em ferramentas efetivas para tomada de decisão", conta.
Nem tudo precisava servir de imediato. Entre as disciplinas favoritas, o executivo cita as de finanças para startups e future thinking, temas distantes da realidade estrutural de uma incorporadora, mas que abriram caminhos que ele admite estar "movimentando com calma".
A sala de aula rendeu ainda um ativo menos mensurável: contatos com executivos de segmentos variados, em momentos diferentes de carreira. Para Felix, porém, os vínculos mais valiosos vieram de onde poucos procuram.
"Os contatos mais valiosos, para mim, foram os professores, pela experiência prática e pela possibilidade de trocar ideias em decisões complexas", fala.
São nomes que ele guarda para o momento oportuno, quando uma decisão de negócio pedir uma segunda opinião técnica.
Vinte e cinco anos depois do primeiro crachá, o presidente da RNI continua tratando o aprendizado como parte permanente da liderança.