Repórter
Publicado em 31 de março de 2026 às 15h35.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou decreto que integra o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e amplia o uso dos resultados da prova.
A norma foi publicada no Diário Oficial da União, nesta terça-feira, 31, e atualiza a Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica.
Com a mudança, o Enem passa a ter também a função de avaliar competências e habilidades ao fim da educação básica, alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A medida amplia o escopo do exame, que passa a ser utilizado na produção de indicadores e no acompanhamento da qualidade do ensino médio.
O exame, já utilizado como principal porta de entrada para o ensino superior e como instrumento de certificação educacional, passa a integrar de forma mais estruturada as análises sobre a educação básica. Os resultados do Enem também serão incorporados ao monitoramento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), com geração de dados comparáveis ao longo do tempo.
Senado aprova novo Plano Nacional de Educação, com metas de alfabetização e estratégias até 2035"Muitas vezes, o aluno que está no terceiro ano não está preocupado com a prova do Saeb, ele está preocupado com a prova do Enem. Por isso, não tenho dúvidas de que isso vai aumentar a participação e fortalecer a avaliação do terceiro ano do ensino médio", explicou o ministro da Educação, Camilo Santana.
A integração permitirá a elaboração de diagnósticos com dados de redes públicas e privadas, com foco na padronização da qualidade do ensino. O modelo também busca ampliar a comparabilidade dos resultados e reforçar a confiabilidade das métricas educacionais ao longo do tempo.
Leonardo Barchini será o novo ministro da Educação, diz LulaO decreto estabelece que os resultados do Enem poderão ser utilizados para certificação de conclusão do ensino médio, declaração parcial de proficiência e acesso ao ensino superior, além de servirem de base para programas governamentais de financiamento estudantil.
A certificação do ensino médio via Enem havia sido interrompida em 2017, quando o exame passou a ter foco exclusivo no ingresso ao ensino superior. Com a nova regulamentação, essa função é retomada, assim como a possibilidade de declaração parcial de proficiência.
O decreto também reconhece o uso das notas do exame em programas como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e Programa Universidade para Todos (Prouni), além de sua aplicação em estudos e indicadores sobre o sistema educacional brasileiro.