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Lewandowski diz que pretende deixar Ministério da Justiça até sexta

Lula tenta adiar demissão até encontrar substituto para a pasta, mas fontes do Palácio do Planalto dizem que saída do ministro é iminente

Lewandowski: ministro quer se reunir com Lula nesta semana (EVARISTO SA /AFP)

Lewandowski: ministro quer se reunir com Lula nesta semana (EVARISTO SA /AFP)

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 11h44.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, avisou a aliados que pretende deixar o cargo até sexta-feira, 9, segundo apurou o SBT News.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta adiar a demissão até encontrar um substituto para o comando da pasta, mas fontes do Palácio do Planalto dizem que a saída é iminente.

Lewandowski quer se reunir com Lula nesta semana. O encontro deve ocorrer após o retorno do presidente do recesso na Restinga da Marambaia, previsto para esta terça, 6.

Nos bastidores do MJSP, a avaliação é de que a decisão está consolidada e dificilmente será revertida. Servidores da pasta afirmam que, nos corredores, já corre a informação de que as gavetas do gabinete do ministro já teriam sido esvaziadas.

Diferentemente de outros ministros que deixarão a Esplanada neste começo de ano para disputar eleições, Lewandowski não vai concorrer a nenhum cargo público. A decisão de sair do governo é pessoal e por cansaço, após uma série de desgastes internos. Parte dos secretários da pasta pode seguir o mesmo caminho.

Interlocutores do ministro dizem que ficou evidente um possível esvaziamento da pasta depois de Lula ter dito, em dezembro, que pode recriar o Ministério da Segurança Pública. Hoje, a área fica sob o guarda-chuva da Justiça.

A saída de Lewandowski, se concretizada, ocorrerá antes de ele ver aprovada no Congresso a PEC da Segurança Pública, sua maior bandeira no governo. Após impasses nas últimas semanas de 2025, a votação da proposta na Câmara foi adiada para este ano.

Histórico de Lewandowski

Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça no início de 2024, após Flávio Dino, que antes comandava a pasta, ser indicado por Lula para uma vaga na Corte.

Ao longo de sua permanência no governo, o ministro da Justiça travou embates com a Casa Civil pelo aval para apresentar a PEC da Segurança Pública. Após ficar meses parada, a proposta foi enviada ao Congresso no ano passado.

Depois da megaoperação no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que deixou 122 mortos e colocou a segurança no centro do debate do País, aliados de Lula disseram que Lewandowski não tinha perfil de "xerife" para encampar uma resposta à ofensiva do governador Cláudio Castro (RJ).

Ao falar em recriar o Ministério da Segurança Pública, com o consequente esvaziamento da pasta da Justiça, Lula mirou a eleição. Está claro para o governo e para o PT que o tema, encampado há muito tempo pela direita, será central para a tentativa de reeleição do petista.

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