Brasil

Justiça determina desbloqueio de salários de Marcelo Crivella

Deputado é acusado pelo MP de ganhar vantagens indevidas em compra da prefeitura do Rio durante a pandemia de Covid-19

Marcelo Crivella: deputado federal tem salários desbloqueados pelo TJRJ em meio a investigação por contratos durante a pandemia (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Marcelo Crivella: deputado federal tem salários desbloqueados pelo TJRJ em meio a investigação por contratos durante a pandemia (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Agência o Globo
Agência o Globo

Agência de notícias

Publicado em 23 de maio de 2025 às 20h24.

Tudo sobreMarcelo Crivella
Saiba mais

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) aceitou um recurso do deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos) e desbloqueou os valores recebidos por ele na Câmara dos Deputados. O juiz Daniel Calafate Brito, da 3ª Vara de Fazenda Pública, entendeu que o salário do parlamentar é indispensável para seu sustento.

A ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) resultou na decisão que determinou o bloqueio de bens de Crivella, apontando o pagamento de R$ 36,9 milhões em comissões que disfarçavam suposto repasse de vantagem indevida para favorecer a empresa chinesa China Meheco Corporation.

Além de Crivella, agentes públicos, empresas e sócios da China Meheco também tiveram bens bloqueados. Os acusados são suspeitos de envolvimento em contratos irregulares durante a pandemia de Covid-19.

Apuração dos fatos e valores bloqueados

Segundo o MPRJ, licitações foram direcionadas para favorecer a China Meheco, tanto por licitação quanto por dispensa durante a pandemia. Auditorias do Tribunal de Contas do Município (TCM-RJ) estimam que o dano aos cofres públicos chegou a R$ 68 milhões, incluindo compra de equipamentos acima da demanda e com sobrepreço.

A promotoria sustenta que uma das empresas firmou acordo para receber 11% de comissão sobre valores pagos pela prefeitura. A ação aponta que os R$ 36,9 milhões em comissões disfarçavam vantagem indevida em troca do favorecimento da fornecedora chinesa, que também teria alimentado o caixa dois da campanha de Crivella em 2016.

“Os agentes públicos agiram de forma inequivocamente dolosa, ao favorecer empresa estrangeira que pactuou o pagamento de vantagem indevida (‘comissão’)”, diz trecho da ação.

Contratos e risco cambial

A promotoria afirma que o então prefeito assinou contratos prevendo pagamentos em dólares para uma das empresas investigadas, sem cláusula que resguardasse o município do risco cambial.

Posicionamento da defesa de Crivella

Em nota, a defesa afirma que “o Rio de Janeiro foi a única cidade do mundo que, em plena pandemia de Covid, recebeu 27 tomógrafos, 800 respiradores e 2 mil monitores”, além de ter um "hospital de campanha de 500 leitos, sendo 100 de UTI".

O comunicado acrescenta que “sobre o preço, todo material foi comprado um ano antes da pandemia, ou seja, muito abaixo dos valores praticados em 2020” e destaca que, no auge da pandemia, “nem existia aparelho à venda”. A defesa ainda afirma que o município ajudou outras 26 cidades.

A nota finaliza dizendo que Crivella “soube da decisão da Justiça pela mídia”.

Acompanhe tudo sobre:Rio de JaneiroMarcelo CrivellaPolítica

Mais de Brasil

Zucco lidera corrida pelo governo do RS, diz Real Time Big Data

Real Time Big Data: Lula e Flávio aparecem empatados no Rio Grande do Sul

Real Time Big Data indica disputa acirrada no Senado pelo Rio Grande do Sul

Dr. Furlan lidera disputa pelo governo do Amapá, diz Paraná Pesquisas