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Indústria cresce 0,6% em 2025 e desacelera no segundo semestre

Setor mantém trajetória de expansão, mas produção recua nos últimos meses do ano, segundo o IBGE

https://exame.com/esg/camila-ramos-da-cela-assume-diretoria-de-energia-da-fiesp/ (SECOM/SC/Divulgação)

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Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 11h40.

A produção industrial brasileira cresceu 0,6% em 2025, mas desacelerou nos últimos meses do ano sob impacto do patamar elevado da taxa de juros, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgada nesta terça-feira, 3, pelo IBGE.

Apesar da perda de ritmo, o resultado marca o terceiro ano consecutivo de expansão do setor.

Em 2024, a indústria havia avançado 3,1%, enquanto em 2023 o crescimento foi de 0,1%. A desaceleração ao longo de 2025 ficou evidente na comparação entre os semestres: até junho, a produção acumulava alta de 1,2% na comparação anual; no segundo semestre, a variação foi nula. Entre setembro e dezembro, houve recuo de 1,9%.

Em dezembro, a produção industrial caiu 1,2%, o pior desempenho desde julho de 2024 (-1,5%). Dos últimos quatro meses do ano, três registraram queda e um (outubro) ficou estável.

O nível de produção da indústria encerrou 2025 0,6% acima do período pré-pandemia, de fevereiro de 2020, mas permanece 16,3% abaixo da máxima já registrada, alcançada em maio de 2011.

Desempenho setorial mostra avanço concentrado

Em 2025, a indústria cresceu em duas das quatro grandes categorias econômicas. A produção de bens de consumo duráveis avançou 2,5%, enquanto os bens intermediários tiveram alta de 1,5%.

Em sentido oposto, os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 1,7%, e os bens de capital caíram 1,5%.

Das 25 atividades industriais pesquisadas, 15 apresentaram crescimento, com destaque para as indústrias extrativas, que avançaram 4,9%, e para o segmento de produtos alimentícios, com alta de 1,5%.

No recorte por produtos, 49,6% dos 789 itens pesquisados pelo IBGE registraram aumento na produção.

Juros elevados afetam investimento e consumo

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, a desaceleração da indústria no fim do ano está diretamente associada à política monetária restritiva.

“Os juros altos diminuem a intensidade da atividade econômica, e o setor industrial está inserido nesse contexto”, afirmou.

De acordo com Macedo, o custo elevado do crédito levou empresas a adiar decisões de investimento, além de afetar o consumo das famílias, sobretudo no segmento de bens duráveis, que apresentou desaceleração mais intensa nos últimos meses do ano.

O ambiente de juros altos também contribuiu para o aumento da inadimplência, ao encarecer financiamentos e empréstimos. Um exemplo foi o setor de veículos automotores, cuja produção recuou 8,7% em dezembro, a maior pressão negativa na comparação mensal. O resultado refletiu, segundo o IBGE, maior número de paralisações e férias coletivas nas fábricas no período.

Política monetária e inflação

O ciclo de aperto monetário teve início após o Copom elevar a Selic, então em 10,5% ao ano, diante da trajetória de alta da inflação. A taxa básica alcançou 15% ao ano em junho de 2025 e permaneceu nesse nível ao longo do segundo semestre.

A meta de inflação do governo é de 3% em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O IPCA ficou 13 meses fora do intervalo de tolerância, praticamente durante todo o ano de 2025.

A elevação dos juros tem como objetivo conter a inflação ao desestimular consumo e investimentos, mas tende a provocar ritmo mais lento da atividade econômica e impacto sobre a geração de empregos. Ainda assim, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, segundo dados divulgados pelo IBGE na última sexta-feira, 30.

*Com informações da Agência Brasil

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