Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 9 de julho de 2026 às 12h15.
O governo dos Estados Unidos criticou a decisão do Brasil de autorizar a expulsão do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, acusado por Washington de atuar como agente da inteligência militar da Rússia.
Em nota divulgada nesta quarta-feira, 9, o Departamento de Estado afirmou que a decisão brasileira cria um precedente e compromete os esforços conjuntos para combater a interferência estrangeira.
Segundo o comunicado, os Estados Unidos estão "profundamente preocupados" com a autorização para que um indivíduo com "ligações conhecidas com a inteligência russa" deixe o território brasileiro.
A chancelaria americana também afirmou que a medida "mina nosso compromisso compartilhado de combater a interferência estrangeira e proteger a integridade de nossas instituições democráticas".
"Instamos nossos parceiros brasileiros a considerarem o precedente que isso cria e a trabalharem conosco para responsabilizar aqueles que ameaçam nossa segurança coletiva", afirmou o Departamento de Estado.
A manifestação ocorre após o governo brasileiro publicar, no Diário Oficial da União, a autorização para expulsar Cherkasov. O ato determina que o russo fique proibido de retornar ao Brasil pelos próximos 30 anos, mas não informa qual será seu destino.
A decisão também estabelece que Cherkasov deverá cumprir a pena imposta pela Justiça brasileira ou obter autorização judicial antes de deixar o país.
Cherkasov, de 40 anos, está preso no Brasil desde 2022 após ser condenado por fraude documental. Inicialmente sentenciado a 15 anos de prisão, teve a pena reduzida para cinco anos e dois meses em 2023.
O caso se transformou em uma disputa diplomática entre Estados Unidos e Rússia, que apresentaram pedidos distintos de extradição às autoridades brasileiras.Os Estados Unidos acusam Cherkasov de atuar como agente da inteligência militar russa, o GRU, agência de inteligência das Forças Armadas da Rússia. Segundo a acusação apresentada pela Justiça americana em 2023, ele utilizou a identidade falsa de Victor Muller Ferreira para estudar em uma universidade americana entre 2018 e 2020, período em que teria coletado informações sobre cidadãos americanos e repassado dados a seus superiores.
Já a Rússia solicita que Cherkasov seja enviado ao país para responder por acusações de narcotráfico.
O caso ganhou dimensão internacional em abril de 2022, quando Cherkasov foi detido nos Países Baixos ao tentar ingressar como estagiário no Tribunal Penal Internacional (TPI), corte internacional sediada em Haia que julga crimes de guerra e crimes contra a humanidade. As autoridades neerlandesas concluíram que ele utilizava uma identidade brasileira falsa para se infiltrar na instituição e foram responsáveis por sua deportação ao Brasil.
De acordo com o FBI, polícia federal dos Estados Unidos, Cherkasov mantinha sua identidade falsa no Brasil desde 2012, como parte de uma operação de longo prazo da inteligência russa.