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Governo Lula expulsa russo suspeito de espionagem

Sergey Cherkasov cumpre pena por fraude de identidade e é alvo de pedidos de extradição dos Estados Unidos e da Rússia por acusações diferentes

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 9 de julho de 2026 às 08h56.

O governo brasileiro autorizou a expulsão do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, acusado pelos Estados Unidos de se passar por um estudante brasileiro para coletar informações sobre a Ucrânia. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na terça-feira, 6.

O ato não define para qual país Cherkasov, de 40 anos, será expulso. Segundo o documento, o russo está impedido por 30 anos de voltar ao Brasil.

Cherkasov está preso no Brasil desde 2022 e é alvo de uma disputa entre Estados Unidos e Rússia.

Ele foi condenado a 15 anos de prisão por fraude documental. Em 2023, sua pena foi reduzida para 5 anos e 2 meses.

Segundo a decisão, Cherkasov deverá cumprir a pena imposta pela Justiça brasileira em 2022 ou obter autorização judicial antes de deixar o país.

Washington e Moscou pedem extradição

Washington pede sua extradição por acusações de espionagem, enquanto Moscou solicita sua entrega para que responda por acusações de narcotráfico.

O russo foi detido nos Países Baixos em abril de 2022, quando se apresentava como um estudante brasileiro de mestrado. As autoridades neerlandesas concluíram que ele era um agente do Departamento Central de Inteligência das Forças Armadas da Rússia (GRU) e que pretendia se infiltrar no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, para influenciar processos sobre crimes de guerra na Ucrânia.

Após ser deportado para o Brasil, Cherkasov foi condenado por fraude de identidade. Ainda em 2022, a Rússia apresentou um pedido para que ele fosse deportado ao país.

Em 2023, a Justiça dos Estados Unidos acusou Cherkasov de atuar como agente de uma potência estrangeira durante o período em que estudou no país, entre 2018 e 2020, e formalizou um pedido de extradição ao governo brasileiro.

O FBI afirmou que o russo começou a atuar no Brasil em 2012, usando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira.

Segundo as autoridades americanas, o russo utilizou a condição de estudante de pós-graduação em uma universidade dos Estados Unidos para coletar informações sobre cidadãos americanos e repassá-las a seus superiores russos.

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