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Flávio Dino pede vista e julgamento do STF sobre eleições no Rio é adiado

Análise dos ministros pretende definir se a escolha do novo governador ocorrerá por meio de voto popular ou por decisão da Assembleia Legislativa, após a renúncia e a cassação do mandato de Cláudio Castro

Flávio Dino: ministro do Supremo Tribunal Federal (Gustavo Moreno/STF/Divulgação)

Flávio Dino: ministro do Supremo Tribunal Federal (Gustavo Moreno/STF/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 9 de abril de 2026 às 15h08.

Última atualização em 9 de abril de 2026 às 15h14.

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista no julgamento que trata do formato da eleição para o governo do Rio de Janeiro, durante a sessão realizada nesta quinta-feira, 9.

A Corte iniciou a análise na quarta-feira, 8, com os votos dos ministros Cristiano Zanin e Luiz Fux. O debate foi retomado nesta quinta-feira, quando Dino seria o próximo a apresentar seu voto.

Os ministros irão definir se a escolha do novo governador ocorrerá por meio de voto popular ou por decisão da Assembleia Legislativa, após a renúncia e a cassação do mandato de Cláudio Castro.

Entre os pontos centrais da discussão está o formato da eleição: se será direta, com participação dos eleitores, ou indireta, conduzida pelos deputados estaduais. O tema chegou ao STF por meio de ações protocoladas pelo PSD.

Eleição direta ou indireta no RJ: o que dizem Fux e Zanin?

Como tem sido o julgamento até agora

O julgamento no Supremo Tribunal Federal começou com a análise dos ministros sobre as manifestações das partes envolvidas e, na sequência, apresentaram os votos dos relatores.

No debate sobre o modelo de eleição, o ministro Cristiano Zanin se posicionou a favor da realização de pleito direto, com participação da população.

Já o ministro Luiz Fux apresentou entendimento divergente e defendeu a adoção de eleição indireta, conduzida pelos deputados estaduais. Nesse formato, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro escolheria um novo presidente, que assumiria o governo de forma interina até a sucessão prevista para 2027.

Zanin também apontou que a legislação estadual do Rio de Janeiro sobre eleição indireta não se aplica ao caso de Cláudio Castro. Segundo o ministro, quando essa norma for utilizada — em contextos não eleitorais — a votação no âmbito da Assembleia deve ocorrer de forma aberta.

Fux, por sua vez, considerou válida a regra de voto secreto prevista na legislação estadual.

Ambos os ministros convergiram quanto ao prazo de desincompatibilização, estabelecendo 24 horas para que candidatos deixem os cargos que ocupam.

O que é mandato-tampão?

O mandato-tampão é um período de gestão que se estende apenas pelo prazo restante antes da dupla vacância dos cargos eletivos.

Sendo assim, ele entra em vigor apenas quando a chapa que ocupava o cargo deixa o mandato antes das próximas eleições, seja por renúncia, destituição ou morte.

O escolhido para o mandato-tampão pode ser definido por meio de eleições diretas ou indiretas, a depender do que for decidido pelos órgãos superiores.

Qual é a proposta da Alerj para eleição no Rio de Janeiro?

A regulamentação da Lei Complementar 229/26 foi aprovada em 12 de março e detalhava as definições da Alerj para as eleições do mandato-tampão do novo governador do estado. 

O texto define:
  • Eleição indireta realizada pelos deputados estaduais;
  • Voto aberto e presencial;
  • Prazo de destituição dos candidatos no cargo anterior reduzido de seis meses para 24 horas.

Quem governa o Rio de Janeiro atualmente?

No momento, o governo do Rio de Janeiro está sob a responsabilidade do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto.

Como começou a crise no governo do Rio?

O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, dá entrevista coletiva sobre a Operação Contenção realizada no complexo Alemão e Penha, no Rio de Janeiro, Brasil, em 28 de outubro de 2025. Pelo menos 2.500 agentes das forças de segurança participaram de uma operação para prender traficantes de drogas do Comando Vermelho (CV), que resultou na morte de 18 suspeitos e vários policiais. (Foto de Pablo PORCIUNCULA / AFP) (Foto de PABLO PORCIUNCULA/AFP via Getty Images)

Cláudio Castro: ex-governador do Rio de Janeiro (PABLO PORCIUNCULA/AFP/Getty Images)

A crise no governo do Rio de Janeiro começou após a renúncia e a condenação do ex-governador Cláudio Castro (PL). Em 23 de março deste ano, Castro deixou o cargo e anunciou pré-candidatura ao Senado nas eleições de outubro de 2026. No dia seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o condenou por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, tornando-o inelegível até 2030.

Com a vacância no Executivo, a sucessão caberia ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No entanto, a linha sucessória foi interrompida após a cassação do mandato do então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que também foi preso pela segunda vez desde o fim de março.

A combinação entre renúncia, condenação eleitoral e prisão de autoridades levou a um cenário de indefinição no comando do estado. O episódio desencadeou uma disputa institucional no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense.

Na prática, o Rio de Janeiro enfrenta um vácuo de poder desde a saída de Castro, com a linha de sucessão comprometida e o modelo de eleição para o mandato-tampão sob questionamento judicial. O impasse envolve a definição das regras para escolha do novo governador, que seguem em análise no Judiciário.

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