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Eleitor que votou em branco ou nulo em 2022 pode decidir a eleição de 2026, diz analista

Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, afirma que eleitor que não se identifica nem com Lula nem com Bolsonaro pode ser decisivo em uma disputa acirrada

Brancos e nulos: Cortez afirma que, desde 2018, a disputa presidencial brasileira é marcada pelo confronto entre lulismo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Brancos e nulos: Cortez afirma que, desde 2018, a disputa presidencial brasileira é marcada pelo confronto entre lulismo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 16h10.

Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 10h10.

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O eleitor que votou em branco ou nulo, ou não compareceu às urnas em 2022, pode ser o grupo decisivo para definir a eleição presidencial de 2026, segundo Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.

Para Cortez, esse eleitorado pode definir se a insatisfação com o governo Lula será convertida em voto na oposição ou permanecerá fora da disputa, em uma eleição marcada pela polarização entre o atual presidente e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Dado que temos essas duas rejeições muito calcificadas e uma avaliação do governo dividida, mas com a desaprovação um pouco maior, o movimento vai ser entender quem vai para as urnas e se essa insatisfação com o governo vai se transformar em voto no Flávio ou, eventualmente, em voto inválido. Acho que essa é a grande questão”, disse em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME.

No primeiro turno de 2022, brancos e nulos somaram 5,3 milhões de eleitores. Outros 32,7 milhões não foram votar.

Segundo Cortez, a eleição deve ser definida pela capacidade dos candidatos de transformar a insatisfação com o governo ou a rejeição à oposição em voto válido.

“Essa é uma eleição que a oposição tem que ganhar. Tem toda a cara de uma eleição que a oposição deveria ganhar, justamente pela desaprovação maior. Por que não está explícito que ela vai ganhar? Porque as pesquisas mostram um cenário de empate técnico”, afirmou.

Para o cientista político, a dificuldade para Flávio Bolsonaro está no fato de que o senador também carrega uma rejeição elevada. Segundo Cortez, ele tem o “ônus e o bônus do sobrenome”: herda parte do eleitorado do pai, mas também recebe a resistência associada ao bolsonarismo.

O peso do eleitor fora da polarização

Cortez afirma que, desde 2018, a disputa presidencial brasileira é marcada pelo confronto entre lulismo, movimento político associado ao presidente Lula, e bolsonarismo, campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação dele, os eleitores mais identificados com esses grupos tendem a manter suas escolhas. A principal dúvida está entre aqueles que não se sentem representados por nenhum dos dois lados.

“Quando eu pego, por exemplo, quem foi Lula em 2022, no segundo turno, e faço uma pesquisa nesse subgrupo, o Lula tem nove entre dez votos desse grupo lulista em 22. A mesma coisa o Flávio Bolsonaro com o voto do pai na eleição passada”, disse.

“Então, se os dois que vão mais competitivos têm basicamente o mesmo conflito, você só troca o Jair por Flávio. Todo mundo gostou do que fez lá atrás, porque o lulista continua lulista, o bolsonarista continua bolsonarista. O que é que pode mudar tanto?”, afirmou.

Para Cortez, a mudança depende justamente de quem não escolheu nenhum dos dois candidatos em 2022.

“Quem foi branco e nulo ou não foi votar em 22, ele realmente já não gosta desses nomes. A ponto dele falar: bom, eu não vou. Ou eu vou, mas não quero participar. Não vou escolher isso em nenhum desses dois nomes”, afirmou.

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