Lula e Flávio Bolsonaro: os dois têm alta rejeição
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 10h14.
A recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na nova pesquisa BTG/Nexus não alteraram o principal retrato da disputa: os dois candidatos continuam presos a uma eleição de alta rejeição cruzada, em que o eleitor que rejeita um dos lados aparece como potencial eleitor do adversário.
Segundo Marcelo Torkaski, CEO da Nexus, o levantamento mostra que a disputa permanece aberta porque os dois candidatos têm limites semelhantes para crescer.
“O Flávio tem 50% de rejeição, que é 50% de potencial de voto do Lula. O Lula tem 48% de rejeição, que é exatamente também 48% de potencial de voto do Flávio. Ou seja, quase quem rejeita um topa votar no outro e vice-versa”, afirma.
No primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 37% de Flávio. Augusto Cury (Avante), que havia registrado crescimento nas rodadas anteriores, caiu e aparece com 6%.
Segundo o CEO da Nexus, o movimento indica uma volta da polarização entre os dois principais candidatos.
“O eleitor que tinha há três semanas ali parado para dar uma espiada no Cury, saber do que se tratava, meio que deixou de lado, não abandonou por completo, mas voltou a polarizar entre Lula e Flávio”, diz.
No segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto e Flávio, 46%. A diferença está dentro da margem de erro e, para Torkaski, mantém o cenário de empate técnico.
A pesquisa também mediu a possibilidade de mudança de voto. Segundo o executivo, 10% dos eleitores de Flávio e 9% dos eleitores de Lula afirmam que ainda podem alterar sua escolha. A segunda opção mais citada por esse grupo é anular o voto.
“É o eleitor que está votando pela rejeição em um e outro”, afirma.
A recuperação de Lula, segundo Torkaski, ocorreu principalmente entre eleitores de menor renda e beneficiários do Bolsa Família. O presidente também apresentou melhora entre eleitores com renda de um a dois salários mínimos.
O executivo avalia que o movimento faz parte da dinâmica de uma eleição polarizada, em que as campanhas reagem aos avanços do adversário.
“O Flávio mudou o Lula semana passada, a campanha do Lula reage, aumenta o tom do horário eleitoral, a militância fica mais aguerrida e aí agora o Lula passa o Flávio de novo”, afirma.
Apesar da troca de posição nos números, Torkaski afirma que a pesquisa não indica uma mudança definitiva no cenário.
“Na verdade é um empate técnico”, diz.
Sobre os episódios recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal, sigilos e investigações, o CEO da Nexus avalia que, até o momento, os acontecimentos não provocaram uma alteração significativa nas candidaturas.
“Parece não ter mudado muito assim, não feriu de morte nenhuma candidatura por enquanto”, afirma.
A perda de espaço de Augusto Cury reduziu a fatia de eleitores que buscava uma alternativa aos dois principais candidatos. Para Torkaski, o cenário atual aumenta a probabilidade de um segundo turno entre Lula e Flávio.
O executivo avalia que seria necessário um movimento amplo de transferência de votos para que Lula conseguisse vencer no primeiro turno.
“Hoje a soma de todos os candidatos no primeiro turno está em torno de 52% e o Lula tem 42%. O Lula teria que ganhar cinco, seis pontos percentuais, que é tudo que ele ganha do primeiro para o segundo turno. Teria que todo mundo antecipar o voto para ele sem ninguém antecipar para o Flávio. É muito difícil”, afirma.
Segundo Torkaski, a análise de teto e piso eleitoral reforça o equilíbrio. O teto de Lula é superior ao de Flávio, mas o teto do senador supera o piso do presidente, mantendo uma disputa sem definição.
A pesquisa mostra uma eleição concentrada em dois candidatos que têm dificuldade de ampliar seus eleitorados para além da rejeição ao adversário.“Se o Lula sofrer um desgaste, tem eleitor que pode mudar de lado e aí o cenário, que já é apertado, pode ficar desfavorável para ele. Se o Flávio sofrer mais algum desgaste, o Lula pode abrir uma frente”, afirma.