Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 14h53.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), declarou nesta segunda-feira, 19 de janeiro, que vai renunciar ao cargo para disputar o governo do Estado do Rio em 2026. A confirmação foi feita após reunião com o secretariado na sede da prefeitura, marcando a primeira declaração pública sobre sua pré-candidatura.
Paes também reforçou que apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Sou pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro", disse após comandar a primeira reunião de secretariado do ano, que também pode ter sido sua última antes de deixar a prefeitura. "O Rio tem solução, a segurança tem solução. Mas a solução não será entregando a segurança a grupelhos políticos".
A decisão contraria as promessas feitas por Paes durante a campanha para a prefeitura, quando afirmou que cumpriria integralmente o quarto mandato à frente do Executivo municipal.
Ao lado de Eduardo Paes, no momento do anúncio, estavam duas figuras centrais: o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que deve assumir a prefeitura, e o deputado federal Pedro Paulo, presidente do PSD no estado.
Para disputar as eleições, Paes precisa deixar o cargo até 4 de abril, seis meses antes do pleito. No entanto, a expectativa é que ele transmita o cargo a Cavaliere em 20 de março.
Embora ainda não haja definição, alguns nomes são cogitados para compor a chapa como vice. Entre eles, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Rogério Lisboa (PP), é visto como o favorito.
Diferentemente de estados como São Paulo e Minas Gerais, o Rio de Janeiro concentra mais de 70% do eleitorado na Região Metropolitana. Por isso, a Baixada Fluminense e municípios limítrofes à capital, como São Gonçalo, são considerados estratégicos.
Outro fator que deve influenciar a campanha de Paes é a aliança com o presidente Lula. Embora aliados, os dois vinham distantes nos últimos meses, mas se reuniram na semana passada para tratar de questões sensíveis.
Na declaração desta segunda-feira, Eduardo Paes reiterou apoio a Lula, apesar de indicar que não pretende nacionalizar sua campanha.
"Minha decisão é de apoiar a candidatura do presidente Lula, nunca tive dúvida disso", justificou o prefeito do Rio.
E acrescentou: "Mas está provado que quando as pessoas apenas seguiram o voto nacional aqui no Rio de Janeiro não fomos bem-sucedidos. Talvez a eleição de 2018, do Wilson Witzel (vinculado a Jair Bolsonaro), seja o maior exemplo disso".
Paes também afirmou que, ao conversar com Lula na semana passada, salientou a necessidade de estabelecer alianças com grupos diferentes.
"O presidente Lula me disse que gostaria de ver a deputada Benedita da Silva de volta ao Senado. Eu disse que seria uma honra, mas que também vou buscar a aliança mais ampla possível. O Rio precisa de união, de força, inclusive com gente que não concorde comigo na eleição presidencial".
(Com informações do jornal O Globo)