Economia

Lula celebra acordo UE-Mercosul: 'Foram 25 anos de sofrimento e tentativas'

Na véspera da assinatura do acordo, o presidente brasileiro e a presidente da Comissão Europeia destacaram as oportunidades comerciais para os países-membros dos blocos econômicos

 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Palácio do Itamaraty. Rio de Janeiro ( Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Palácio do Itamaraty. Rio de Janeiro ( Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 15h05.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 16h44.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta sexta-feira, 16 de janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para um encontro, um dia antes da assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, no Paraguai.

O encontro entre os líderes ocorreu no Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty, no Rio de Janeiro, sobre os preparativos para a assinatura do acordo comercial.

Em declaração à imprensa, o presidente Lula enfatizou a importância histórica da parceria e a demora para estabelecer um consenso entre os blocos. Segundo ele, foram "25 anos de sofrimento e tentativas de acordo".

"Quando determinei a retomada das negociações do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, deixei claro que esse processo deveria ser compatível com os objetivos de promoção do crescimento econômico e de reindustrialização do Brasil. Foram mais de 25 anos de sofrimento e tentativa de um acordo", disse o presidente.

Em seu discurso, Lula também destacou as oportunidades que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode trazer.

"Amanhã, em Assunção, a União Europeia e o Mercosul farão história ao criarem uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Somados, os 31 países que integram o Acordo Mercosul-União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB conjunto que supera US$ 22 trilhões", disse Lula.

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A força do multilateralismo

Lula reforçou que o entendimento entre o Mercosul e a União Europeia é resultado do multilateralismo e que trará benefícios às democracias da Europa e América do Sul.

"Esta é uma parceria baseada no multilateralismo. Nós reafirmamos nosso pleno respeito aos pactos internacionais que assumimos nas Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio. Contemplamos compromissos com o meio ambiente e o enfrentamento das mudanças climáticas, com os direitos dos povos indígenas e dos trabalhadores, além da igualdade de gênero", disse.

O presidente salientou que as relações comerciais entre os blocos deve contribuir com a geração de empregos e impactos positivos em diversos setores para os dois continentes. Ele também reforçou que o acordo não compromete as responsabilidades das nações com o enfrentamento das mudanças climáticas e a sustentabilidade.

"A liberalização e a abertura comerciais só fazem sentido se fossem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades. Estamos ampliando oportunidades comerciais e de investimentos, sem comprometer o papel do Estado em áreas como saúde, desenvolvimento industrial, agricultura e agricultura familiar. Mais comércios significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico".

Ampliação de mercados

Lula destacou que, por muitos anos, o Mercosul atuou como grandes provedores de produtos agropecuários para os consumidores europeus. No entanto, o grupo pretende alcançar outro patamar no cenário global.

"Não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities, queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado".

Ele lembrou que, além da União Europeia, o Mercosul também concluiu outros importantes acordos comerciais com Cingapura e a EFTA – Associação Europeia de Livre Comércio, que reúne países como Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. E agora, a meta do bloco sul-americano é alcançar novos mercados.

"Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e para construir novas parcerias no mundo todo, em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China. O Acordo que vai ser assinado amanhã em Assunção, no Paraguai, é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa".

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'Todos devem se beneficiar'

Após as falas de Lula, a presidente da Comissão Europeia destacou a relevância do acordo firmado entre os dois blocos e mencionou a atuação do líder brasileiro no processo de negociação.

"O acordo tem uma mensagem forte: sejam bem-vindos ao maior mercado do mundo e à maior área de livre comércio do mundo. Nós concordamos que o comércio internacional não é um jogo de zero a zero. Nós concordamos que todos devem se beneficiar", declarou Ursula von der Leyen.

A representante da UE também elogiou a relação com o presidente brasileiro: "Um líder comprometido com valores, democracia e respeito ao planeta e a comunidade de nações soberanas".

E acrescentou: "Fico feliz também que o Mercosul e a União Europeia estejam chegando a um acordo com matéria-prima. Isso é importantíssimo para uma transição limpa e digital", concluiu Ursula von der Leyen.

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