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(Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 13h44.
Três pesquisadores da Hacktron AI usaram o Claude Opus 5 para explorar falhas e acessar contas de funcionários e um repositório privado da OpenAI, segundo o Wall Street Journal. A equipe gastou menos de US$ 3 mil em tokens, abriu um pull request inofensivo como prova e recebeu US$ 6.500 da OpenAI.
Um trio de pesquisadores de segurança indianos usou o Claude, modelo de inteligência artificial (IA) da Anthropic, para invadir os sistemas internos da OpenAI — e a dona do ChatGPT pagou US$ 6.500 (cerca de R$ 33 mil na cotação atual) de recompensa pelo achado, segundo reportagem do Wall Street Journal.
A equipe, formada por Harsh Jaiswal, Mohan Pedhapati e Rahul Maini, da startup de cibersegurança Hacktron AI, gastou menos de US$ 3 mil em tokens de IA para encadear duas falhas de software e conseguir acesso às contas de ChatGPT de funcionários da OpenAI e ao repositório interno de código da empresa no GitHub.
A porta de entrada foi uma vulnerabilidade conhecida como heap buffer overflow na libheif, biblioteca de código aberto usada pelo fórum Discourse para decodificar imagens nos formatos HEIC e HEIF.
Os servidores do Discourse rodavam uma versão desatualizada e vulnerável da biblioteca. A equipe começou a analisar o pipeline de imagens do Discourse em 23 de julho; um dia depois, já tinha um exploit funcional — mas só conseguia executá-lo com a proteção de segurança ASLR (randomização de endereços de memória) desativada, o que tornaria o ataque muito mais difícil de reproduzir em um cenário real.
É aqui que a história fica desconfortável para a Anthropic. O Claude Opus 4.8 passou várias sessões tentando construir um exploit capaz de driblar o ASLR e falhou repetidamente. Na noite de 24 de julho, a Anthropic lançou o Opus 5 — e o novo modelo conseguiu o que o anterior não tinha conseguido, permitindo à equipe avançar com o ataque.
Com acesso à conta comprometida de ChatGPT e Codex de um funcionário da OpenAI, os pesquisadores conseguiram chegar ao repositório privado de código da empresa no GitHub, batizado internamente de "Monorepo" — descrito por fontes ouvidas pelo WSJ como o verdadeiro "molho secreto" que faz os modelos da OpenAI rodarem mais rápido.
Em vez de vasculhar o código sensível, a equipe usou o acesso apenas para abrir um pull request inofensivo, de número 1186742, dentro do repositório interno — só para provar que a porta estava, de fato, aberta.
"Somos só três caras com assinaturas do Claude e do Codex", disse Mohan Pedhapati, da Hacktron AI, ao WSJ. Segundo os próprios pesquisadores, todo o processo levou "poucos dias de trabalho do agente de IA, e apenas algumas horas de tempo humano" para ser concluído.
A invasão à OpenAI foi apenas um capítulo de uma pesquisa mais ampla da Hacktron AI, batizada de "HEIF Heist", voltada a investigar vulnerabilidades na forma como diversos softwares e serviços processam determinados arquivos de imagem.
Segundo a equipe, a mesma técnica já havia encontrado falhas em plataformas como Slack, Zoom e Meta — todo o projeto levou dois meses, envolveu três pesquisadores e custou menos de US$ 3 mil em tokens de IA no total.
Em nota de conclusão do relatório, os pesquisadores resumiram o que consideram a lição central do caso.
"O software sempre se beneficiou de uma espécie de segurança pela complexidade [...] A IA está removendo essa proteção, transformando parte dessa expertise escassa em poder computacional. Trabalho que antes exigia uma equipe bem financiada e meses de esforço agora pode ser comprimido em dias [...] As premissas de segurança precisam alcançar a capacidade dos atacantes", disseram.
O caso é o mais recente de uma sequência de incidentes de segurança envolvendo — e cometidos por — OpenAI e Anthropic, já divulgados publicamente pelas próprias empresas.
Ambas vêm defendendo publicamente a criação de salvaguardas de segurança que permitam à IA continuar avançando em um ritmo que ainda dê tempo para humanos revisarem riscos antes que novos modelos cheguem ao público — debate que ganhou força nas últimas semanas, incluindo o pedido do CEO da Anthropic, Dario Amodei, por uma desaceleração coordenada no desenvolvimento de IA de fronteira.
Harsh Jaiswal, Mohan Pedhapati e Rahul Maini, pesquisadores da startup indiana Hacktron AI, usaram o Claude para explorar os sistemas da OpenAI. Segundo o Wall Street Journal, a equipe acessou contas de funcionários e um repositório privado da empresa no GitHub.
A porta de entrada foi uma falha de heap buffer overflow na libheif, biblioteca usada pelo Discourse para processar imagens HEIC e HEIF. Os servidores utilizavam uma versão desatualizada e vulnerável da biblioteca.
O Claude ajudou a desenvolver um exploit capaz de contornar a proteção ASLR. O Claude Opus 4.8 falhou após várias tentativas, mas o Opus 5 conseguiu superar o obstáculo após seu lançamento, na noite de 24 de julho.
Os pesquisadores chegaram ao repositório privado “Monorepo” da OpenAI, descrito por fontes ouvidas pelo Wall Street Journal como parte central da infraestrutura da empresa. A equipe afirma que não examinou o código sensível e abriu apenas o pull request inofensivo 1186742 para comprovar o acesso.
A OpenAI pagou US$ 6.500, cerca de R$ 33 mil, como recompensa pela descoberta, segundo o Wall Street Journal. Os pesquisadores afirmam que todo o projeto custou menos de US$ 3 mil em tokens de inteligência artificial.
HEIF Heist foi uma pesquisa da Hacktron AI sobre falhas no processamento de arquivos de imagem por diferentes serviços. Segundo a equipe, o projeto durou dois meses, envolveu três pesquisadores e também identificou vulnerabilidades em plataformas como Slack, Zoom e Meta.