Lula e Putin: presidente brasileiro telefonou ao líder russo para discutir a guerra na Ucrânia, o comércio entre Brasil e Rússia e a cooperação em fóruns internacionais. (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
Repórter
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 12h47.
Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 14h18.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou nesta terça-feira, 4, ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para discutir a ampliação das relações comerciais entre os dois países e a guerra na Ucrânia. Segundo o Kremlin, a conversa ocorreu por iniciativa do presidente brasileiro.
De acordo com a presidência russa, os dois líderes revisaram o andamento da parceria bilateral em diferentes áreas e defenderam o fortalecimento das relações econômicas entre o Brasil e a Rússia.
O comunicado destaca que os presidentes consideraram prioritárias a ampliação e a diversificação do comércio entre os dois países.
No início de julho, o governo da Rússia suspendeu as exportações de diesel até o dia 31 do mesmo mês, em uma tentativa de conter a escassez de combustível provocada pelos ataques da Ucrânia ao sistema energético do país. Após o fim do prazo, o governo russo extendeu o veto até janeiro de 2027.
O Brasil havia se tornado um dos principais compradores do combustível russo desde o início da guerra. O país era responsável por 75% do abastecimento brasileiro.
A relação entre Brasil e Rússia no mercado de diesel ganhou força em 2022, poucos meses após o início da Guerra da Ucrânia. Na época, o então presidente Jair Bolsonaro anunciou que havia fechado um acordo com Vladimir Putin para importar diesel russo com preços inferiores aos praticados por outros fornecedores.
O Palácio do Planalto confirmou o telefonema, que durou por volta de uma hora, e destacou o apoio do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas.
Além da guerra, os presidentes discutiram formas de ampliar a cooperação econômica entre Brasil e Rússia. Segundo o Kremlin, os dois países pretendem expandir e diversificar o comércio bilateral, fortalecendo a parceria em diferentes setores.
Brasil e Rússia integram o Brics e mantêm relações comerciais em áreas como fertilizantes, agronegócio, energia e produtos industriais.
O diesel é o principal produto que o Brasil importa da Rússia em uma balança comercial com o país que é amplamente deficitária. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o produto respondeu por 57% das importações brasileiras da Rússia, que totalizaram no período US$ 5,72 bilhões.
No mesmo período, o Brasil exportou aos russos US$ 787,7 milhões. Os principais produtos da pauta exportadora brasileira ao país de Putin são carne de boi congelada, café e soja.
O comunicado do Kremlin afirma ainda que Lula e Putin concordaram em manter a coordenação entre os dois países na Organização das Nações Unidas (ONU) e em outros fóruns multilaterais.
"O presidente Lula sublinhou a importância do comércio entre os dois países, com ênfase especial no fornecimento de diesel e fertilizantes.", afirma a nota do Palácio do Planalto.
Segundo o governo russo, os líderes avaliaram que Brasil e Rússia compartilham posições "idênticas ou próximas" sobre diversos temas centrais da agenda internacional.
A conversa também levou em consideração os resultados da reunião da Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia, realizada em Brasília no início deste ano, além de outros contatos diplomáticos recentes.
Durante o telefonema, Lula e Putin trocaram opiniões sobre temas da agenda internacional, com destaque para a guerra na Ucrânia.
Segundo o Kremlin, Putin agradeceu ao presidente brasileiro pela disposição em contribuir para uma solução política e diplomática para o conflito.
"Putin expressou gratidão ao seu colega brasileiro pelo desejo de ajudar na busca de uma solução política e diplomática para o conflito na Ucrânia", informou a presidência russa em comunicado.
Desde o início da guerra, Lula tem defendido uma solução negociada e já afirmou, em diversas ocasiões, que o conflito não será encerrado por meio de uma vitória militar de qualquer um dos lados.
Até a publicação desta reportagem, o Palácio do Planalto não havia divulgado uma nota oficial sobre o conteúdo da conversa.