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Datafolha: Lula tem 24% de eleitores de direita; Flávio Bolsonaro tem 19% de esquerda

Levantamento mostra que parte significativa dos eleitores dos dois pré-candidatos não se enquadra no campo ideológico tradicionalmente associado a eles

Lula e Flávio Bolsonaro: levantamento do Datafolha mostrou que os pré-candidatos têm em suas bases eleitorais votantes divergentes de seus campos políticos (Divulgação/Exame)

Lula e Flávio Bolsonaro: levantamento do Datafolha mostrou que os pré-candidatos têm em suas bases eleitorais votantes divergentes de seus campos políticos (Divulgação/Exame)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 7 de julho de 2026 às 15h06.

A parcela de eleitores que vota em candidatos de um campo político diferente daquele com o qual é identificada ideologicamente continua significativa na disputa presidencial de 2026.

Levantamento do Datafolha, divulgado nesta terça-feira, 7, mostra que 24% dos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são classificados como de direita ou centro-direita, enquanto 19% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) aparecem na esquerda ou centro-esquerda.

A pesquisa foi realizada presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A classificação ideológica utilizada pelo instituto não é baseada na autodeclaração dos entrevistados. Ela é calculada a partir de um conjunto de perguntas sobre comportamento, valores e economia, que posiciona os eleitores em cinco grupos: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda.

Apesar da existência de eleitores em campos ideológicos distintos dos candidatos que apoiam, a maior parte das bases eleitorais permanece alinhada às posições tradicionalmente associadas a cada pré-candidato.

Entre os eleitores de Lula, 60% são classificados como de esquerda ou centro-esquerda, enquanto 16% ocupam o centro e 24% aparecem na direita ou centro-direita.

Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 64% estão na direita ou centro-direita, 17% no centro e 19% são classificados como de esquerda ou centro-esquerda.

Na distribuição detalhada, o eleitorado de Lula é composto por 24% de esquerda, 36% de centro-esquerda, 16% de centro, 19% de centro-direita e 5% de direita. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 25% estão na direita, 38% na centro-direita, 17% no centro, 15% na centro-esquerda e 3% na esquerda.

Eleições 2026

O Datafolha também analisou a posição ideológica dos entrevistados com base no voto declarado no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

Entre aqueles que afirmam ter votado em Lula, 56% são classificados como de esquerda ou centro-esquerda, 17% ocupam o centro e 27% aparecem na direita ou centro-direita.

Já entre os eleitores que dizem ter votado em Jair Bolsonaro (PL) em 2022, 64% pertencem à direita ou centro-direita, 17% ao centro e 19% à esquerda ou centro-esquerda.

Matriz ideológica considera comportamento e economia

A classificação ideológica elaborada pelo Datafolha é construída a partir de 16 perguntas. Dez delas compõem a escala de comportamento, abordando temas como pobreza, criminalidade, homossexualidade, religião, sindicatos e punição de adolescentes que cometem crimes.

As outras seis integram a escala econômica, com questões sobre impostos, papel do Estado na economia, benefícios públicos, legislação trabalhista e investimentos.

Segundo o instituto, as duas dimensões têm o mesmo peso na composição da matriz ideológica.

O levantamento também identificou posições que divergem das bandeiras tradicionalmente defendidas pelos pré-candidatos. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 34% afirmam que a posse de armas deve ser proibida por representar ameaça à vida de outras pessoas.

Já entre os apoiadores de Lula, 26% consideram que as leis trabalhistas prejudicam mais o crescimento das empresas do que protegem os trabalhadores.

Ao mesmo tempo, há pontos de convergência entre os dois eleitorados. A maioria dos eleitores de Lula (61%) e de Flávio Bolsonaro (81%) defende que adolescentes que cometem infrações sejam punidos como adultos.

Além disso, cerca de sete em cada dez entrevistados dos dois grupos afirmam que o governo deve apoiar grandes empresas nacionais que corram risco de falência.

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