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Consumo de energia no Brasil cresce 0,2% em 2025, aponta EPE

Consumo residencial supera o industrial em dezembro, influenciado pelas altas temperaturas

Consumo de energia no Brasil cresce 0,2% em 12 meses, puxado por residências (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Consumo de energia no Brasil cresce 0,2% em 12 meses, puxado por residências (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 18h10.

O consumo nacional de energia elétrica cresceu 0,2% nos últimos 12 meses, atingindo 562.659 GWh, segundo a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Apenas em dezembro de 2025, o consumo somou 47.616 GWh, crescimento de 0,5% na comparação com o mesmo mês de 2024, marcando o segundo aumento consecutivo na base interanual.

O avanço foi puxado principalmente pelas classes residencial (+4,1%), comercial (+0,5%) e outros (+1,4%), enquanto a indústria reduziu o consumo em 3,3%.

No recorte regional, o Centro-Oeste registrou o maior crescimento, com alta de 5,5%. Norte (+0,6%), Nordeste (+0,3%) e Sul (+0,2%) também avançaram. O Sudeste foi a única região com retração, de 0,2%.

Integração de Roraima

A integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), concluída em setembro de 2025, conecta todos os estados brasileiros à rede. A medida incorporou 209 mil unidades consumidoras e provocou queda de 48,2% no consumo dos Sistemas Isolados em dezembro, na comparação anual.

Atualmente, 449 mil unidades ainda são atendidas fora do SIN, pouco mais de 9 mil em Roraima.

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Recuo no consumo industrial

O consumo industrial totalizou 15.754 GWh em dezembro, com recuo de 3,3%. O Sudeste liderou a queda (-5,2%), seguido por Nordeste (-4,4%) e Norte (-1,9%). Centro-Oeste (+2,7%) e Sul (+0,4%) aumentaram o consumo.

Alagoas apresentou a maior retração (-56,5%), enquanto Sergipe registrou a maior alta (+15,1%).

Entre os setores, 24 dos 37 monitorados consumiram menos energia. Já entre os dez setores mais eletrointensivos, seis usaram menos. Produtos químicos (-13,0%) e metalurgia (-8,0%) tiveram as maiores quedas, influenciados por paralisações e menor atividade em grandes unidades produtivas.

Também reduziram o consumo de eletricidade os setores: automotivo (-6,6%; -37 GWh), produtos de metal (-5,7%; -20 GWh), têxteis (-1,2%; -5 GWh) e papel e celulose (-0,6%; -5 GWh).

Por outro lado, o consumo aumentou, principalmente, na fabricação de produtos alimentícios (+2,7%; +62 GWh), seguida pela extração de minerais metálicos (+0,6%; +7 GWh) e produtos de minerais não metálicos (+0,4%; +5 GWh).

Consumo residencial

O consumo residencial alcançou 15.857 GWh em dezembro, crescimento de 4,1% em relação a 2024. Pela terceira vez desde 2004, o consumo das residências superou o industrial.

O avanço foi impulsionado por temperaturas altas, ondas de calor e maior uso de aparelhos de climatização, além do aumento na compra de eletrodomésticos após a Black Friday.

A expansão aconteceu em todas as regiões, com destaque para Sul (+6,3%) e Centro-Oeste (+5,7%). Alagoas, Goiás, Rio Grande do Sul e Paraíba lideraram as altas estaduais.

Consumo comercial

Na classe comercial, o consumo somou 9.001 GWh em dezembro, alta de 0,5% e reversão da trajetória de queda observada desde abril.

O resultado acompanhou a melhora da atividade econômica, com crescimento das vendas no varejo e dos serviços, além do impacto do calor sobre a demanda por climatização.

Centro-Oeste, Norte e Sudeste avançaram, enquanto Sul e Nordeste recuaram. Goiás e Paraná se destacaram nas altas, e Santa Catarina e Pernambuco nas quedas.

Avanço do mercado livre

O mercado livre respondeu por 43,8% do consumo nacional em dezembro, com 20.874 GWh. O segmento cresceu 2,7% em consumo e 28,9% no número de consumidores.

O Centro-Oeste liderou tanto a expansão do consumo quanto o aumento de clientes. Já o mercado regulado, com 26.742 GWh, registrou queda de 1,2% no consumo, apesar do aumento de 1,7% no número de consumidores.

Desde a abertura do mercado livre para todos os consumidores de alta tensão, em 2024, cerca de 45 mil unidades migraram para o ambiente livre até 2025.

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