Congresso volta renovado, mas tem eleições com jeitão de déjà vu

No Senado, 87% das novas vagas serão renovadas, na Câmara o número 52% dos eleitos são novatos. Mas Maia e Calheiros são favoritos às presidências

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal retomam suas atividades nesta sexta-feira, 1, com um ar de que as coisas mudaram, pero no mucho. Se há uma renovação histórica nos nomes e na composição dos partidos, com forte ascensão do PSL de Jair Bolsonaro, as eleições para a presidência das casas tende a consagrar duas velhas raposas: Rodrigo Maia (DEM-RJ), na Câmara, e Renan Calheiros (MDB-AL), no Senado.  

A posse dos novos deputados e senadores será marcada por um dos maiores índices de renovação desde a redemocratização. No Senado, 87% das novas vagas serão renovadas. Das 54 totais, 46 serão ocupadas por novos nomes. Do total, 21 partidos vão compor a Casa, um acréscimo de 6 em relação a 2015.

Na Câmara, a taxa de renovação é de 52%. Tomarão posse 243 deputados em seu primeiro mandato. Os outros 270 já integraram a Câmara em outras legislaturas. No para a presidência, Rodrigo Maia tem apoio do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro e, se eleito, deve ter 15 partidos como aliados, totalizando mais de 300 deputados.

Também devem disputar a eleição Ricardo Barros (PP-PR), João Henrique Caldas (PSB-AL), Fábio Ramalho (MDB-MG), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Marcel van Hattem (Novo) e General Peternelli (PSL).

Já no Senado, nove parlamentares devem concorrer à presidência. Renan Calheiros, ex-presidente do Congresso, venceu a disputa interna no MDB com Simone Tebet (MS) e é candidatíssimo ao cargo. Renan desembarcou do governo Temer em 2018 e se reelegeu em Alagoas apoiando Lula; agora, é bolsonarista de carteirinha, a ponto de defender a pauta de privatizações e fazer comentários favoráveis a Flávio Bolsonaro, que também assume cargo hoje no Senado. Por ser alvo de incontáveis processos e denúncias, sua possível eleição levantou uma campanha online batizada de #forarenan.

Os outros candidatos devem ser Alvaro Dias (Podemos-PR), Ângelo Coronel (PSD-BA), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Esperidião Amin (PP-SC), José Reguffe (Sem partido-DF), Major Olímpio (PSL-SP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Depois do início efetivo das atividades do Congresso, a pauta mais urgente a ser tratada nas Casas deve ser da Reforma da Previdência. O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse na última terça, 29, que a proposta de reforma deve ser apresentada ao plenário da Câmara na segunda ou terceira semana de fevereiro.

Para chegar lá, Bolsonaro vai colocar a prova sua estratégia política de negociar com bancadas, e não com partidos. O problema: em um mês de governo, uma série de desgastes já forçaram o governo a baixar a bola a ponto de trabalhar para a eleição de Maia e Calheiros. As próximas semanas vão mostrar se com Bolsonaro nasce um novo jeito de fazer política parlamentar. Ou se teremos quatro anos de mais do mesmo.

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