Círio de Nazaré 2025 reúne milhões em Belém para programação com "procissão das luzes" AFP PHOTO/Evaristo SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 11 de outubro de 2026 às 09h25.
A procissão do Círio de Nazaré é realizada neste domingo, 11, em Belém, capital do Pará. O evento representa o ponto alto da festividade mariana e a 7ª das 14 romarias oficiais do calendário. A estimativa das autoridades é de que 2,3 milhões de pessoas tomem as ruas da cidade ao longo do trajeto de 3,6 quilômetros.
A programação teve início às 6h com a celebração da Missa do Círio na Catedral Metropolitana de Belém, conduzida pelo arcebispo Dom Júlio Endi Akamine. A saída da berlinda ocorreu por volta das 7h e deu início a uma caminhada de aproximadamente seis horas até o bairro de Nazaré.
Ao meio-dia, a celebração de chegada na Praça Santuário é presidida pelo bispo auxiliar Dom Paulo Andreolli.
A devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Pará remonta ao início do século XVIII. Segundo a tradição local, no ano de 1700, o caboclo Plácido encontrou uma pequena imagem de madeira da Virgem às margens do igarapé Murutucu — onde hoje se ergue a Basílica Santuário.
Mesmo após ser levada para a casa de Plácido e para a capela do Palácio do Governo, a imagem desaparecia e reaparecia no local original do achado. O fenômeno motivou a construção de uma ermida no local e deu início ao culto oficial.
O primeiro Círio ocorreu em 1774, quando a imagem retornou de Portugal após passar por restauração e foi conduzida do porto ao santuário por autoridades e fiéis. A partir de 1793, a romaria passou a ser celebrada anualmente no segundo domingo de outubro.
Entre os episódios históricos marcantes está o milagre do brigue português "São João Batista", em 1846, cujos sobreviventes de um naufrágio foram salvos e originaram a tradição do acompanhamento de botes e carros de promessa.
A festividade reúne diversos elementos simbólicos que marcam o pagamento de promessas. O principal deles é a corda, introduzida na procissão em 1855 para puxar a berlinda atolada no Ver-o-Peso e oficializada em 1868.
Com cerca de 400 metros de comprimento e dividida em estações, a estrutura de sisal é disputada por milhares de promesseiros que caminham descalços como forma de sacrifício e agradecimento.
A berlinda, em uso no modelo barroco atual desde 1964, carrega a Imagem Peregrina — uma réplica esculpida em 1969 com traços da mulher e do menino amazônicos. Todos os anos, a santa recebe um manto inédito confeccionado em clima de segredo e doado anonimamente.
A celebração também se estende à culinária familiar com o tradicional almoço de domingo, onde são servidos pratos típicos como o pato no tucupi e a maniçoba.
Ao longo dos séculos, a celebração passou por transformações organizacionais e enfrentou momentos de exceção: