Eleições 2026: pesquisa internacional destaca Flávio como vencedor do pleito eleitoral (Ricardo Stuckert /PL/Flickr)
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Publicado em 11 de outubro de 2026 às 09h00.
A consultoria Eurasia Group elevou de 70% para 80% a probabilidade estimada de vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A revisão considera pesquisas que mostram o senador à frente por quatro a seis pontos percentuais. Segundo a análise, Lula precisa conquistar eleitores de candidatos eliminados, reduzir a abstenção e mudar a mensagem de sua campanha para tentar reverter a vantagem. A consultoria considera a recuperação improvável, mas não impossível.
A consultoria de risco político Eurasia Group elevou de 70% para 80% a probabilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A votação está marcada para 25 de outubro.
A consultoria também reduziu de 30% para 20% a chance estimada de reeleição de Lula.
A revisão considera as primeiras pesquisas de intenção de voto após o primeiro turno, que mostram Flávio numericamente à frente de Lula por uma diferença de quatro a seis pontos percentuais, segundo a análise divulgada nesta sexta-feira, 9.
A estimativa da Eurasia Group não é uma pesquisa eleitoral. O percentual representa a probabilidade de vitória atribuída pela consultoria ao senador, com base em sua avaliação do cenário político e eleitoral.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, segundo os resultados eleitorais.
Na avaliação da consultoria, a vantagem registrada nas primeiras pesquisas de segundo turno superou as expectativas iniciais. A Eurasia projetava uma diferença de três a quatro pontos percentuais, considerando a distribuição dos votos dos candidatos eliminados.
"Uma vantagem considerável, com pouco mais de duas semanas restantes de campanha, favorece Bolsonaro: quanto mais próxima estiver a votação enquanto ele mantiver uma liderança sólida, maiores serão suas chances de vitória", afirma o relatório.
A análise considera que o resultado do primeiro turno e a distribuição dos votos dos candidatos que ficaram de fora da disputa alteraram o cenário eleitoral.
O senador terminou a primeira etapa à frente de Lula, e a consultoria avalia que os eleitores que escolheram outros candidatos migraram em maior proporção para Flávio no segundo turno.
Segundo o relatório, os indecisos também demonstraram uma inclinação favorável ao senador.
Outro fator apontado na análise é a percepção de estagnação entre parte do eleitorado e o desejo de mudança. Segundo o relatório, nesse cenário, a campanha de Lula precisaria apresentar uma mensagem mais voltada ao futuro e demonstrar como um eventual quarto mandato atenderia às expectativas dos eleitores.
"A mensagem de Lula ainda não corresponde ao desejo de mudança dos eleitores que podem mudar de lado", afirma a Eurasia Group.
A consultoria avalia que o presidente enfrenta dificuldades para responder às preocupações dos eleitores com corrupção e segurança pública, além da percepção de estagnação.
O relatório aponta que o vice-presidente Geraldo Alckmin está assumindo um papel maior na campanha para apresentar um eventual quarto mandato de Lula como um período de transição. Também menciona o apoio do presidente a uma reforma do Judiciário em resposta ao escândalo do Banco Master.
Para a Eurasia, no entanto, as duas iniciativas provavelmente chegam tarde demais para modificar a percepção dos eleitores indecisos e daqueles que votaram em outros candidatos no primeiro turno.
A avaliação também considera o desempenho das campanhas durante o segundo turno, incluindo os debates e a capacidade de conquistar eleitores que ainda não definiram o voto ou que apoiaram candidatos eliminados na primeira etapa.
"Para reduzir essa diferença, Lula precisa conquistar votos de Bolsonaro, atrair eleitores que apoiaram candidatos eliminados e reduzir simultaneamente a abstenção — uma combinação improvável, mas não impossível", afirma o relatório.
A consultoria também considera que a campanha petista precisará intensificar os ataques ao adversário, especialmente sobre a redução da jornada de trabalho, os benefícios sociais e as supostas ligações com o crime organizado.
Segundo a análise, essas acusações representam a linha de ataque potencialmente mais prejudicial a Bolsonaro, mas dificilmente seriam suficientes, isoladamente, para alterar o resultado da disputa.
"A ofensiva do PT contra Bolsonaro é necessária, mas não suficiente para uma recuperação de Lula", diz o relatório.
A Eurasia também aponta a abstenção como um dos principais desafios do presidente. Segundo a consultoria, Lula ainda dispõe de uma reserva de votos entre eleitores mais velhos e de menor renda, grupo no qual obteve vantagem no primeiro turno.
A análise estima que o presidente precisaria conquistar cerca de 62% dos votos recebidos pelos candidatos eliminados para ultrapassar Bolsonaro. Além disso, teria de superar uma diferença de aproximadamente dois milhões de votos.
O relatório ressalta que, historicamente, a abstenção não costuma diminuir no segundo turno, mas aumentar ligeiramente.
Apesar das dificuldades, a Eurasia considera que a disputa ainda pode ficar mais apertada nas próximas semanas. A consultoria cita a possibilidade de a campanha petista mobilizar a rejeição à família Bolsonaro.
Segundo o relatório, uma pesquisa Quaest realizada antes do primeiro turno mostrou níveis próximos de sentimentos negativos em relação aos dois candidatos. A reeleição de Lula provocava um pouco mais de medo do que uma vitória de Bolsonaro, enquanto os índices de rejeição apresentavam uma diferença ligeiramente favorável ao presidente.
A consultoria também menciona dois precedentes internacionais e nacionais de recuperação eleitoral. Em 2014, Dilma Rousseff aparecia quatro pontos atrás de Aécio Neves nas primeiras pesquisas após o primeiro turno e acabou vencendo a eleição.
Na Colômbia, em 2026, Abelardo de la Espriella tinha oito pontos de vantagem sobre Iván Cepeda nas pesquisas, mas venceu por menos de um ponto, segundo o relatório.
Para a Eurasia, os exemplos mostram que campanhas negativas eficazes podem alterar a posição de candidatos que aparecem atrás nas pesquisas.
A probabilidade de 80%, no entanto, não significa que Flávio tenha 80% das intenções de voto. Trata-se de uma estimativa sobre o resultado possível da eleição, e não de uma medição direta da preferência dos eleitores.
Os levantamentos divulgados após o primeiro turno mostram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula nas simulações de segundo turno, com diferenças que variam conforme o instituto, a data da coleta e a metodologia utilizada.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada em 9 de outubro, mostra Flávio com 51,1% das intenções de voto, contra 45,7% de Lula.
A diferença é de 5,4 pontos percentuais. Entre os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o senador tem 52,8%, enquanto o presidente registra 47,2%.
No levantamento da Vox Brasil, o petista registra 44,2% das intenções de voto, contra 42,7% do parlamentar fluminense.
Já a pesquisa Datafolha, divulgada em 8 de outubro, aponta Flávio com 49% das intenções de voto totais, ante 45% de Lula. Na contagem dos votos válidos, o senador tem 52%, contra 48% do presidente. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A Eurasia também menciona um levantamento do PoderData, que aponta vantagem de seis pontos percentuais para Flávio.
As pesquisas são retratos das intenções de voto durante a coleta e não garantem o resultado das urnas. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
A consultoria elevou de 70% para 80% sua estimativa de probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026, com base na análise do cenário eleitoral e das primeiras pesquisas após o primeiro turno.
A Eurasia Group reduziu de 30% para 20% a probabilidade estimada de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O percentual é uma projeção da consultoria, não um resultado de pesquisa de intenção de voto.
A consultoria considera a vantagem de quatro a seis pontos percentuais nas primeiras pesquisas de segundo turno, a migração de eleitores de candidatos eliminados e a dificuldade de Lula em apresentar uma mensagem de mudança.
Segundo a Eurasia, uma recuperação é improvável, mas não impossível. O presidente precisaria conquistar eleitores de outros candidatos, reduzir a abstenção e melhorar o desempenho da campanha, incluindo os debates.
Os levantamentos citados apontam vantagem numérica de Flávio Bolsonaro. O Datafolha registra uma diferença de quatro pontos percentuais, o PoderData, de seis pontos, e a Eurasia cita uma vantagem de 5,6 pontos no AtlasIntel.
A classificação depende da margem de erro e dos resultados de cada pesquisa. No Datafolha, a diferença de quatro pontos está no limite da margem de dois pontos para cada candidato. No AtlasIntel/Bloomberg, a vantagem de 5,4 pontos supera a margem de um ponto percentual informada pelo instituto.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro de 2026, quando os eleitores escolherão entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.