Lula: Segundo Lavareda, a taxa de abstenção chegou a 21,08% do eleitorado no primeiro turno, um aumento de 0,13 ponto percentual em relação a 2022 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 11 de outubro de 2026 às 09h00.
O cientista político Antônio Lavareda avalia que a abstenção de eleitores com menor escolaridade foi determinante para o desempenho de Lula no primeiro turno das eleições de 2026. Em entrevista ao Eleições em Pauta, da EXAME, ele afirmou que o presidente perdeu apoio nas urnas sem que esses votos necessariamente migrassem para Flávio Bolsonaro ou outros candidatos.
A abstenção eleitoral foi um dos principais fatores para o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições de 2026, segundo o cientista político Antônio Lavareda.
Na avaliação do especialista, Lula perdeu votos principalmente entre eleitores com menor escolaridade, grupo em que registrava maior intenção de voto nas pesquisas, e não por uma transferência direta de apoio para Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME, Lavareda afirmou que a diferença entre as pesquisas de intenção de voto e o resultado das urnas pode ser explicada, em parte, pelo perfil dos eleitores que deixaram de comparecer à votação.
O cientista político destacou que os candidatos alternativos aos dois principais concorrentes tiveram, em conjunto, desempenho semelhante ao registrado em 2022. Por isso, considera que a abstenção é uma explicação relevante para a diferença observada no desempenho de Lula.
"Se os eleitores que o Lula perdeu não foram para outros candidatos, se os eleitores que o Lula perdeu não foram para Flávio Bolsonaro, por óbvio. Para quem foram esses eleitores? Foram para a abstenção mais uma vez", afirmou Lavareda.
Segundo Lavareda, a taxa de abstenção chegou a 21,08% do eleitorado no primeiro turno, um aumento de 0,13 ponto percentual em relação a 2022.
O especialista destacou que, apesar da pequena variação na taxa geral, a distribuição da ausência entre diferentes grupos do eleitorado pode ter afetado de maneira desigual os candidatos.
"A abstenção é um fenômeno que se correlaciona negativamente com escolaridade, ou seja, quanto menos escolaridade, mais abstenção. Quanto mais escolaridade, menos abstenção", afirmou.
De acordo com Lavareda, essa relação já havia sido identificada na eleição presidencial anterior. Ele acrescentou que pesquisas apontavam Lula com mais de 50% das intenções de voto entre eleitores com escolaridade até o ensino fundamental completo.
Para o cientista político, a combinação entre maior abstenção nesse segmento e a concentração de apoio a Lula ajuda a explicar por que o presidente teve desempenho inferior ao indicado por levantamentos de intenção de voto.A redução da abstenção é um dos desafios da campanha de Lula no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, marcado para 25 de outubro. Segundo Lavareda, o presidente precisa tentar mobilizar eleitores que não compareceram às urnas na primeira votação, embora considere difícil uma mudança expressiva no índice de participação.
"É difícil? É difícil. É possível? É possível. Em 2022, conseguiram isso; mais de 550 mil eleitores participaram no segundo turno, não tendo votado. Mas foram só 550 mil eleitores", afirmou.
Para o cientista político, a experiência da eleição anterior mostra que é possível ampliar o comparecimento às urnas, mas o impacto dessa mobilização tende a ser limitado.
"É uma coisa possível, mas não se pode imaginar que vai haver uma grande, uma significativa diminuição da abstenção. Mas eles têm que tentar isso", disse.
Segundo o cientista político Antônio Lavareda, a abstenção de eleitores com menor escolaridade, grupo em que Lula concentrava parte importante de seu apoio, ajuda a explicar a diferença entre as pesquisas de intenção de voto e o resultado do primeiro turno. Na avaliação dele, parte desses eleitores deixou de comparecer às urnas.
De acordo com os números citados por Lavareda na entrevista ao Eleições em Pauta, a abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, um aumento de 0,13 ponto percentual em relação às eleições presidenciais de 2022.
O cientista político afirma que a abstenção é maior entre eleitores com menor escolaridade, especialmente aqueles com até o ensino fundamental completo. Segundo ele, pesquisas apontavam Lula com 52% das intenções de voto nesse segmento.
Lavareda diferencia pesquisas de intenção de voto de projeções de resultado. Segundo ele, a projeção de eleitores prováveis divulgada pela Quaest na véspera da eleição, que indicava Lula um ponto à frente, não se confirmou. O especialista afirma, porém, que quase todas as pesquisas de intenção de voto apresentaram resultados compatíveis com a margem de erro quando considerado o eleitorado total.
Segundo os percentuais arredondados apresentados por Lavareda, Flávio Bolsonaro obteve 35% do eleitorado total, enquanto Lula registrou 34%. Esses números consideram todos os eleitores, inclusive os que não compareceram às urnas, e não representam os percentuais de votos válidos.
Lavareda considera possível ampliar o comparecimento às urnas, mas avalia que uma redução expressiva da abstenção é difícil. Ele citou a eleição de 2022, quando, segundo sua análise, mais de 550 mil eleitores votaram no segundo turno depois de não terem participado do primeiro. Para o especialista, mobilizar eleitores ausentes é um dos desafios da campanha de Lula.