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Brasileiros confiam mais em chefes do que na mídia, ONGs e governo

Pesquisa aponta avanço da desconfiança institucional no Brasil e destaca empresas como principais fontes de credibilidade para a população

Estudo indica mudança no comportamento social, com maior valorização de ambientes com valores semelhantes (Rawpixel/Freepik)

Estudo indica mudança no comportamento social, com maior valorização de ambientes com valores semelhantes (Rawpixel/Freepik)

Publicado em 25 de março de 2026 às 17h24.

A pesquisa Edelman, divulgada nesta quarta-feira, 25, mostrou que os brasileiros confiam mais em empregadores e em empresas do que em outras instituições, como Organizações Não Governamentais (ONGs), a mídia e o governo.

Ao responder sobre o nível de confiança no governo, apenas 55% dos entrevistados confiam na entidade.

O levantamento indica que o nível de confiança é de 80% nos empregadores entre os empregados e de 67% nas empresas entre a população geral.

Tendências da pesquisa em 2026

O índice de desconfiança no governo subiu entre 2025 e 2026. No ano passado, o percentual era de 43%, e os novos dados mostram que 45% declaram não confiar no setor.

A confiança na mídia, por outro lado, subiu um pouco e alcançou os 52% em 2026. Junto com as ONGs, que possuem 58% de confiança dos entrevistados, ela se enquadra no patamar de "neutralidade" da pesquisa.

A gerente-geral da Edelman Brasil, Ana Julião, explica que a edição deste ano é marcada pelo desinteresse e desconfiança dos participantes com princípios e ideias diferentes dos seus.

Esse movimento do "nós" para o "eu" não é novo.

Para ela, questões políticas e econômicas, além de avanços tecnológicos fazem com que os indivíduos se fechem em círculos menores, desconfiem de grandes instituições e encontrem segurança em ambientes familiares.

Polarização e nacionalismo interferem na confiabilidade

Em média 7 a cada 10 participantes da pesquisa estão pouco dispostos a acreditar em pessoas com valores, fontes de informação, abordagens sociais e/ou origens diferentes das suas.

O avanço desse isolamento também fortalece o nacionalismo. Na pesquisa, isso reflete na confiabilidade das empresas brasileiras, que é 7 pontos maior do que nas estrangeiras.

Além disso, 25% apoiam a redução de corporações externas no país, mesmo que isso implique em preços maiores em produtos e serviços.

Diferença de percepção nas classes sociais

Uma das questões que interfere na percepção de confiabilidade demonstrada na pesquisa é a diferença de classes sociais.

Dentro dos participantes de alta renda, 62% dão credibilidade para entidades do país. Entre as pessoas de baixa renda, esse percentual cai para 53%.

Otimismo e instabilidade política

Outro ponto que a pesquisa aponta é o otimismo em relação ao futuro: apenas 30% acreditam que a próxima geração estará em uma situação melhor do que a atual.

As tensões geopolíticas também intensificam esse cenário. No Brasil, 71% dos empregados demonstram preocupação com o impacto comercial de conflitos externos e 74% temem perder o emprego em um cenário de possível recessão.

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