Presidente da Republica, Luiz Inacio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
Repórter
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 13h55.
Última atualização em 27 de janeiro de 2026 às 14h06.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Emmanuel Macron, tiveram uma conversa telefônica nesta terça-feira, 27 de janeiro. Durante uma hora de diálogo, os chefes de Estado trataram da proposta dos Estados Unidos de estabelecer o“Conselho da Paz”, instância sugerida como alternativa à atual estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU).
"[Ambos] defenderam, a esse respeito, o fortalecimento das Nações Unidas e coincidiram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU", diz o comunicado do Planalto.
A conversa com o presidente francês ocorre um dia após o presidente brasileiro ter conversado, também por telefone, com o líder americano, Donald Trump.
Durante a conversa, Donald Trump reiterou o convite para que o Brasil integre o Conselho da Paz. Lula, por sua vez, reforçou críticas já manifestadas publicamente à proposta, que interpreta como uma tentativa de enfraquecimento da ONU. O presidente brasileiro condicionou a participação à limitação do escopo do conselho à crise em Gaza e à inclusão da Autoridade Nacional Palestina nas discussões.
Lula e Emmanuel Macron também trocaram impressões sobre a situação na Venezuela, e ambos condenaram o uso da força em violação ao direito internacional. Eles concordaram sobre a importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo, segundo nota divulgada pelo governo.
O líder venezuelano Nicolás Maduro foi preso pelas Forças Armadas dos EUA em uma operação militar em Caracas, no início do mês. Em seguida, ele foi levado sob custódia a um centro de detenção no Brooklyn, em Nova York.
Maduro é acusado de liderar uma rede transnacional de tráfico de drogas com conexões com cartéis mexicanos como Sinaloa e Los Zetas, além das guerrilhas colombianas das FARC e o grupo venezuelano Tren de Aragua. Ele nega envolvimento e classifica as acusações como manobra imperialista, alegando interesses nos recursos petrolíferos da Venezuela.
Outro tema abordado foi o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em 17 de janeiro, na cidade de Assunção, Paraguai. O tratado, que ainda depende de ratificação, tem sido objeto de discussões entre os países signatários sobre seus termos e desdobramentos.
"O presidente Lula reafirmou sua visão de que o Acordo MERCOSUL - União Europeia é positivo para os dois blocos e constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras", explica o comunicado.
Lula e Macron também trataram da cooperação bilateral entre Brasil e França, com foco nas áreas de defesa, ciência e tecnologia e energia. Segundo comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto, os dois presidentes comprometeram-se a orientar suas equipes técnicas para concluir as negociações em andamento, com a meta de firmar acordos ainda no primeiro semestre de 2026.
E acrescentou: "[Eles] deram seguimento ao diálogo frequente que mantêm sobre a cooperação bilateral, em especial nos temas de defesa, ciência e tecnologia e energia. A esse respeito, comprometeram-se a instruir suas equipes técnicas a ultimar as negociações em curso, com vista a conclusão de acordos ainda no primeiro semestre de 2026".