Desafio: ampliar e modernizar aeroportos que permanecem em plena operação (Aena/Divulgação)
Publicado em 25 de julho de 2026 às 12h00.
Última atualização em 25 de julho de 2026 às 12h41.
O Brasil se consolidou como o principal mercado internacional da Aena e deve concentrar mais de R$ 15 bilhões em investimento até o fim de 2028, segundo Santiago Yus, CEO da Aena Brasil.
"Isso diz muito sobre a relevância que o Brasil tem para o grupo", disse em entrevista ao EXAME Infra.
A cifra contempla aportes previstos para os 18 aeroportos administrados pela companhia no país, incluindo o Aeroporto Internacional do Galeão, recentemente arrematado pela companhia.
Yus afirmou que os recursos incluem tanto investimentos diretos em infraestrutura quanto os compromissos assumidos nas concessões aeroportuárias.
Desse total, cerca de R$ 2 bilhões já foram destinados ao bloco Nordeste, enquanto outros R$ 4,5 bilhões correspondem aos investimentos previstos para o bloco de 11 aeroportos adquirido em 2023.
Segundo Yus, a dimensão da operação brasileira fez o país ganhar um peso estratégico dentro do grupo espanhol. "O Brasil é o país mais relevante para o grupo fora da Espanha e é o único em que operamos com a marca Aena", disse.
Além dos investimentos, a companhia também ampliará significativamente sua participação no mercado brasileiro de aviação.
Sem considerar o Galeão, os aeroportos administrados pela Aena movimentaram pouco mais de 45 milhões de passageiros em 2025. Com a incorporação do terminal fluminense, esse volume deverá se aproximar de 63 milhões de passageiros por ano, segundo o executivo.
Globalmente, o grupo administra aeroportos em cinco países e participa de operações no México e na Jamaica. "Estaríamos falando de mais de 450 milhões de passageiros por ano, considerando a operação mundial, um número expressivo", afirmou.
Além da expansão da operação com o Galeão, a Aena também defende um novo passo para Congonhas: permitir que o aeroporto volte a operar voos internacionais.
Durante a entrevista, Yus afirmou que a companhia vê espaço para internacionalizar a operação do terminal paulistano, ampliando sua conectividade e oferecendo novas alternativas aos passageiros. A proposta faz parte da estratégia de desenvolvimento do aeroporto, um dos principais ativos da concessionária no país.
"Em mais de 25 anos no setor aeroportuário, é a primeira vez que vejo companhias aéreas indo atrás do aeroporto, e não o contrário", disse Yus. "Recebemos 17 companhias aéreas perguntando sobre a possível internacionalização de Congonhas. Existe uma demanda, também, do passageiro que mora perto do aeroporto."
Segundo o executivo, a internacionalização de Congonhas não substituiria sua vocação doméstica, mas agregaria novas possibilidades de conexão e fortaleceria a infraestrutura aeroportuária da capital paulista.
Ainda assim, o executivo leva em consideração os possíveis desafios para a implementação de rotas internacionais. O primeiro ponto, segundo Yus, é cumprir a obrigação contratual da concessão de entregar, até 2028, a ampliação e a reforma do aeroporto.
"Paralelamente, iremos falando com os stakeholders para ver se internacionalizar é factível. Estamos falando de operações internacionais englobando Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai", afirmou.
Segundo Yus, um dos maiores desafios da Aena é ampliar e modernizar aeroportos que permanecem em plena operação, exigindo soluções de engenharia capazes de conciliar crescimento da capacidade com a continuidade dos serviços aos passageiros.
"O grande desafio agora no Brasil é a falta de engenharia. Estamos perdendo nossa essência de engenharia. Mostra-se necessário mudar a tendência para todo o plano de investimentos que está por vir em infraestrutura no Brasil", disse.
O executivo citou Congonhas como um dos exemplos mais complexos da carteira da companhia. Para definir o projeto de expansão do terminal, a Aena avaliou 27 alternativas de configuração antes de chegar ao modelo considerado mais adequado para o aeroporto.
"Os principais desafios que temos tido ao longo do tempo são continuar operando e fazendo obra. E aí o fazer é muito importante."