Brasil

1ª Turma do STF mantém prisão preventiva de Bolsonaro em decisão unânime

Ex-presidente foi preso no sábado, após a Polícia Federal detectar uma avaria na tornozeleira eletrônica

Jair Bolsonaro: ex-presidente foi preso preventivamente pela Polícia Federal neste sábado, 22 de novembro de 2025.  (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Jair Bolsonaro: ex-presidente foi preso preventivamente pela Polícia Federal neste sábado, 22 de novembro de 2025. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Publicado em 24 de novembro de 2025 às 11h41.

Última atualização em 24 de novembro de 2025 às 11h42.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu de forma unânime manter a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. A audiência virtual aconteceu na manhã desta segunda-feira, 24.

O último voto foi da ministra Carmen Lúcia. Todos os magistrados seguiram a decisão de Moraes, que decretou no último sábado, 22, que o ex-presidente fosse preso preventivamente após a Polícia Federal apontar uma avaria em sua tornozeleira eletrônica durante a prisão domiciliar.

O ministro também citou uma vigília convocada por Flávio Bolsonaro em frente ao condomínio do pai, que deveria acontecer às 19h. Segundo a decisão, os fatos apontavam para um possível risco de fuga.

No parecer desta segunda, Moraes afirmou que "não há dúvidas sobre a necessidade da conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva, em virtude da necessidade da garantia da ordem pública, para assegurar a aplicação da lei penal e do desrespeito às medidas cautelares anteriormente aplicadas".

Trump demonstra surpresa ao saber da prisão de Bolsonaro: 'É uma pena'

O ministro e presidente da Primeira Turma do STF, Flávio Dino, seguiu o voto de Moraes e destacou que "as fugas para outros países de deputados federais perpetradores de crimes similares e conexos, com uso de ardis diversos, demonstram a ambiência vulneradora da ordem pública em que atua a organização criminosa chefiada pelo condenado".

“Outro fator responsável pela repercussão social que a prática de um crime adquire é a periculosidade (probabilidade de tornar a cometer delitos) demonstrada pelo réu e apurada pela análise de seus antecedentes e pela maneira de execução do crime”, acrescentou Dino.

Prisão de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente na manhã de sábado, 22, pela Polícia Federal. Entretanto, a detenção ainda não representa o cumprimento da pena de 27 anos e três meses imposta pela Primeira Turma do STF por tentativa de golpe de Estado.

A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes para garantir a ordem pública, evitar fuga e impedir novas violações das medidas impostas ao ex-presidente.

A decisão de Moraes menciona três fatores centrais:

  1. Risco à ordem pública: a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro na véspera da prisão motivou a ordem de detenção. Para Moraes, o ato poderia ganhar “grande dimensão”, reunir centenas de apoiadores e repetir a lógica dos acampamentos montados após as eleições de 2022. Segundo o ministro, o evento expunha terceiros, o próprio réu e a efetividade da prisão domiciliar.
  2. Tentativa de romper a tornozeleira eletrônica: o ministro registrou que a tornozeleira foi violada às 0h08 deste sábado. O Centro de Integração de Monitoração Integrada do DF relatou o episódio ao STF. Para Moraes, o ato demonstrou intenção de fuga, que seria facilitada pelo tumulto gerado pela mobilização convocada pelo filho do ex-presidente.
  3. Elevado risco de fuga: Bolsonaro mora a cerca de 15 minutos da embaixada dos Estados Unidos e já foi investigado por tentar buscar abrigo diplomático anteriormente. Moraes relembrou também as evasões de aliados — como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro — para reforçar que há atuação coordenada para escapar da lei penal.

Por que a pena ainda não começou a ser cumprida

A prisão atual é preventiva e relacionada ao processo que apura a tentativa do filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, em interferir no processo ao viajar para os Estados Unidos, e não ao início do cumprimento da condenação por tentativa de golpe de estado.

Bolsonaro só começará a cumprir a pena definitiva desse caso após o trânsito em julgado, que depende da análise de um último recurso ao qual ele ainda tem direito. Pela jurisprudência do Supremo, esse recurso precisa ser apreciado antes que a pena comece a ser executada.

Bolsonaro já cumpria prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, quando o ministro determinou ao entender que o ex-presidente violou as medidas cautelares impostas a ele ao compartilhar conteúdo nas redes sociais dos filhos.

Com a prisão preventiva já decretada, Moraes negou os pedidos da defesa para que Bolsonaro migrasse para prisão domiciliar. A solicitação, apresentada na sexta-feira, 21, alegava problemas de saúde que exigiriam acompanhamento permanente. Como o ex-presidente já está detido, o pedido perdeu objeto.

O ministro negou também o pedido de autorização de visitas. Pela decisão, qualquer acesso ao ex-presidente deve ser previamente autorizado pelo STF.

Acompanhe tudo sobre:Jair BolsonaroSupremo Tribunal Federal (STF)Alexandre de Moraes

Mais de Brasil

Michelle Bolsonaro deve ser candidata ao Senado, diz Flávio

Moraes vota para rejeitar recursos de militares condenados por trama golpista

Carnaval 2026: confira a programação dos desfiles do Grupo Especial do Rio

PT proíbe manifestações de cunho eleitoral em desfile sobre Lula