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Por que o preço da carne disparou nos EUA desde 2025

A inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) atingiu 4,2% em 12 meses. Nesse período, a carne registrou alta de 7,6%

Carne bovina em supermercado: alta é resultado de uma combinação de fatores, como condições climáticas adversas, redução do rebanho bovino e a tarifa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump sobre a carne brasileira em julho de 2025. (Freepik)

Carne bovina em supermercado: alta é resultado de uma combinação de fatores, como condições climáticas adversas, redução do rebanho bovino e a tarifa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump sobre a carne brasileira em julho de 2025. (Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 10 de junho de 2026 às 12h05.

Última atualização em 10 de junho de 2026 às 12h08.

Os preços da carne nos Estados Unidos pressionaram os dados da inflação americana divulgados nesta quarta-feira, 10. A inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) atingiu 4,2% em 12 meses, a primeira vez que o indicador supera os 4% desde 2023. Nesse período, a carne registrou alta de 7,6%.

Além da proteína, a elevação dos preços foi puxada pelo combustível, que subiu 58,9% desde maio de 2025. A gasolina teve aumento de 40,5%, e o preço médio do galão (3,6 litros) está em US$ 4,15.

Os preços da carne bovina nos EUA vêm acumulando sucessivos recordes. Desde 2020, a valorização chega a 75%, segundo dados do Federal Reserve de St. Louis.

Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os preços da proteína estão 16% acima dos níveis registrados há um ano, tornando a carne bovina um dos principais símbolos da inflação persistente no país, especialmente às vésperas da temporada de churrascos de verão.

A alta é resultado de uma combinação de fatores, como condições climáticas adversas, redução do rebanho bovino e a tarifa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump sobre a carne brasileira em julho de 2025.

Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. Já o rebanho bovino total dos Estados Unidos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do USDA.

A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem, levando produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar o caixa.

Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.

No outono passado, o USDA lançou um plano para apoiar pecuaristas na expansão dos rebanhos, incluindo medidas para ampliar o acesso a áreas de pastagem. Mas, mesmo com a iniciativa, o ciclo pecuário exige tempo: entre o nascimento do bezerro e o abate, o processo pode levar de dois a três anos.

O aumento nos preços levou o Departamento de Justiça dos EUA a abrir uma investigação contra JBS, Tyson Foods e Cargill para apurar possíveis abusos.

Além do clima e da produção, a mosca-varejeira-do-novo-mundo (New World Screwworm), no Texas, vem aumentando a preocupação das autoridades devido aos impactos da praga sobre a pecuária e os preços da carne.

Desde a semana passada, mais cinco casos da praga foram confirmados no Texas, principal estado produtor de carne dos EUA. O USDA estima que a mosca-varejeira possa causar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão à economia texana.

O avanço da praga ocorre em um momento sensível para o governo americano, que busca conter a inflação dos alimentos. Um surto mais amplo poderia reduzir a oferta de gado e pressionar ainda mais os preços da carne bovina.

México e Canadá

O México anunciou nesta terça-feira, 9, que suspenderá a maior parte das importações de animais vivos dos Estados Unidos após a confirmação de casos da mosca-da-berne no Texas e no Novo México, informou o Ministério da Agricultura do país.

A medida se aplica a bovinos, cavalos, suínos, ovinos, caprinos e outras espécies de animais vivos, segundo o ministério, que afirmou ter tomado a decisão em coordenação com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O México, que registrou mais de 28,2 mil casos de mosca-da-berne desde novembro de 2024, informou que busca proteger seu rebanho nos estados de Baja California, Baja California Sur, Chihuahua e Sinaloa, no norte do país, onde atualmente não há casos confirmados da doença. Os EUA confirmaram cinco casos da praga desde 3 de junho.

Além do México, o Canadá também suspendeu temporariamente a importação de animais vivos provenientes do Texas.

A decisão afeta uma das mais importantes rotas comerciais de gado da América do Norte. Dados do governo canadense mostram que o país importou aproximadamente 550 mil cabeças de gado dos Estados Unidos em 2025, destinadas principalmente à reprodução, engorda e abate.

O avanço da praga também levou o governador do Texas, Greg Abbott, a decretar situação de desastre nos condados de Zavala e Uvalde, região onde os casos foram identificados.

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