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CPI: Inflação nos EUA supera 4% ao ano em meio a crise com Irã

Indicador atinge maior alta desde 2023, puxado por alta no preço dos combustíveis

Posto de gasolina na Califórnia: combustível puxa alta da inflação (Frederic Brown/AFP)

Posto de gasolina na Califórnia: combustível puxa alta da inflação (Frederic Brown/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 10 de junho de 2026 às 10h51.

Última atualização em 10 de junho de 2026 às 11h04.

A inflação nos Estados Unidos atingiu 4,2% em 12 meses, segundo o indicador CPI, divulgado nesta quarta-feira, 10. É a primeira vez que o índice supera os 4% desde 2023.

O núcleo do CPI, que exclui energia e alimentos, avançou 2,9%, mas teve redução na comparação mensal. Ele havia avançado 0,4% em abril e agora subiu 0,2% em maio.

O CPI vem subindo nos últimos três meses. A alta foi puxada pelo combustível, que subiu 58,9% desde maio de 2025. A gasolina avançou 40,5%, e o preço do galão (3,6 litros) está na média em US$ 4,15.

Também houve fortes altas no preço da carne, 7,6%, e de passagens aéreas (26,7%). Já os ovos tiveram queda de 35,2%.

Os combustíveis ficaram mais caros por causa da alta do preço do petróleo, que disparou no mercado internacional após os EUA e Israel atacarem o Irã, no final de fevereiro. O barril de petróleo saiu do patamar de 60 dólares para mais de 100.

A crise segue sem solução à vista. Nas últimas horas, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, e o presidente americano, Donald Trump, fez mais ameaças ao Irã. Ele afirmou nesta quarta-feira, 10, que o Irã "demorou demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles e agora terão que pagar o preço" em seu perfil na rede Truth Social.

Trump também disse que está "perto de ordenar novos ataques contra usinas de energia e pontes iranianas", de acordo com a Fox News.

Efeito nos juros

A alta na inflação dos EUA pode levar o Fed, banco central americano, a manter as taxas de juros mais elevadas. Hoje, a taxa está na faixa de 3,5% a 3,75%. A próxima reunião do Fed será em 16 e 17 de junho, e será a primeira sob o comando do presidente Kevin Walsh, recém-nomeado por Trump.

"O dado de maio oferece ao Fed um sinal mais benigno na inflação subjacente, mas o cenário geral segue desafiador: a autoridade monetária enfrenta choques inflacionários simultâneos provenientes das tarifas, dos custos de energia e do boom de investimentos em inteligência artificial", diz Victor Kayo, economista da Nomad.

"Com o FOMC (comitê do Fed) já dividido na última reunião, o Fed de Kevin Warsh, que assume o comando na reunião da próxima semana, deve manter o tom de cautela e ter pouco espaço para sinalizar cortes no horizonte próximo", diz Kayo.

Uma taxa maior de juros nos EUA pode ter efeito na taxa Selic do Brasil. Quando os juros sobem nos EUA, os títulos americanos ficam mais atrativos para investidores, que podem tirar dinheiro de mercados como o Brasil. Como resposta, o país pode também manter seus juros mais elevados para compensar esse efeito.

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