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Canadá suspende importação de gado do Texas após avanço de praga nos EUA

Medida afeta bovinos, equinos e outros animais e amplia tensão comercial na pecuária norte-americana

A mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma das principais ameaças sanitárias à pecuária. (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA)/Divulgação)

A mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma das principais ameaças sanitárias à pecuária. (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA)/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 9 de junho de 2026 às 16h32.

Última atualização em 9 de junho de 2026 às 16h34.

O Canadá suspendeu temporariamente a importação de animais vivos provenientes do Texas após a confirmação de novos casos da mosca-varejeira-do-novo-mundo (New World Screwworm) no estado americano. A decisão amplia as preocupações em torno do avanço da praga nos Estados Unidos e seus potenciais impactos sobre a cadeia pecuária da América do Norte.

A medida foi anunciada pela Agência Canadense de Inspeção de Alimentos (CFIA) na sexta-feira, 5. Segundo as autoridades canadenses, bovinos, equinos e outros animais originários do Texas — ou que tenham permanecido no estado nos 21 dias anteriores à entrada no Canadá — terão a importação bloqueada até novo aviso.

A decisão ocorre após a confirmação de um segundo foco da praga no sul do Texas. A mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma das principais ameaças sanitárias à pecuária porque suas larvas se alimentam de tecido vivo de animais, provocando lesões graves, perda de produtividade e, em casos extremos, a morte dos hospedeiros.

Na segunda-feira, 8, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou mais três casos da mosca-varejeira-do-novo-mundo. As novas ocorrências envolvem um bezerro no condado de La Salle , um cachorro no condado de Andrews e uma cabra no Condado de Gillespie.

Embora o Canadá avalie que as baixas temperaturas reduzam significativamente a possibilidade de estabelecimento permanente do parasita em seu território, as autoridades consideraram necessário adotar medidas preventivas durante os meses mais quentes do ano.

A suspensão afeta uma das mais importantes rotas comerciais de gado da América do Norte. Dados do governo canadense mostram que o país importou aproximadamente 550 mil cabeças de gado dos Estados Unidos em 2025, utilizadas principalmente para reprodução, engorda e abate.

O avanço da praga também levou o governador do Texas, Greg Abbott, a decretar situação de desastre nos condados de Zavala e Uvalde, localizados na região onde os casos foram identificados.

A medida, no entanto, gerou reação imediata das autoridades texanas. Em entrevista ao USA Today, Andrew Mahaleris, porta-voz do governador Greg Abbott, classificou a restrição como exagerada e afirmou que os governos estadual e federal já estão adotando ações rápidas para conter a infestação.

“Essa praga afeta animais vivos e não impacta a carne bovina inspecionada do Texas”, afirmou Mahaleris. “A ampla restrição do Canadá ao gado do Texas é uma reação exagerada, mais política do que científica.”

Crise da carne nos EUA

O governo americano tem intensificado as medidas de combate ao inseto nas últimas semanas. O (USDA) iniciou a liberação de milhões de moscas estéreis sobre as áreas afetadas, estratégia considerada fundamental para interromper o ciclo reprodutivo da praga.

Especialistas alertam que, caso a infestação se espalhe, os impactos podem ir além da sanidade animal e atingir diretamente a economia pecuária dos Estados Unidos, incluindo custos de manejo, movimentação de rebanhos e comércio internacional.

Até o momento, as autoridades americanas afirmam que os focos permanecem restritos ao sul do Texas e que não há risco para a segurança alimentar nem para o consumo de carne bovina inspecionada.

O avanço da praga ocorre em um momento sensível para o governo americano, que busca conter a inflação dos alimentos. Um surto mais amplo poderia reduzir a oferta de gado e pressionar ainda mais os preços da carne bovina.

O preço da carne moída, principal matéria-prima dos hambúrgueres, atingiu o recorde de US$ 6,90 por libra-peso em abril, o maior valor da série histórica do Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão responsável pelas estatísticas trabalhistas dos Estados Unidos.

O patamar representa quase o dobro do registrado há dez anos e uma alta de aproximadamente 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Os preços da carne bovina nos EUA vêm acumulando sucessivos recordes. Desde 2020, a valorização chega a 75%, segundo dados do Federal Reserve de St. Louis.

Embora as autoridades afirmem que a situação está sob controle, o governo americano intensificou as medidas de contenção para evitar que a infestação se espalhe e afete ainda mais a produção de carne bovina no país, que enfrenta a pior crise de seu rebanho em 75 anos.

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