Repórter
Publicado em 11 de maio de 2026 às 15h03.
O governo de Donald Trump avalia reduzir temporariamente as tarifas cobradas sobre a importação de carne bovina a partir desta segunda-feira, 11, segundo informações publicadas pelo jornal americano Wall Street Journal. A iniciativa busca aliviar a pressão dos preços da carne nos Estados Unidos.
A proposta prevê a suspensão da cota tarifária anual incidente sobre as importações de carne bovina de todos os países exportadores. Atualmente, uma alíquota mais elevada entra em vigor depois que o volume importado ultrapassa um limite pré-estabelecido. Caso a mudança seja implementada, uma quantidade maior de carne poderá entrar no mercado americano com tarifas menores.
Carne, etanol e menos tarifas: o que o agro espera do encontro entre Lula e TrumpOs Estados Unidos registram o menor rebanho bovino em 75 anos, cenário que elevou os preços ao consumidor a níveis recordes e pressionou as margens das empresas processadoras de carne, informou a Bloomberg.
A alta da carne bovina também tem impulsionado a inflação de alimentos no país, transformando o assunto em um tema politicamente relevante para o governo Trump no período que antecede as eleições legislativas de meio de mandato.
Segundo o WSJ, o governo de Donald Trump também planeja orientar a Administração de Pequenas Empresas (SBA, na sigla em inglês) a aumentar os empréstimos e o acesso a capital para pecuaristas americanos e a reduzir as proteções para lobos-cinzentos e lobos-mexicanos sob a Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção, um foco de reclamações dos pecuaristas. O governo reduzirá algumas regulamentações para pecuaristas americanos, incluindo as normas do Departamento de Agricultura que exigem o uso de brincos eletrônicos no gado.
Um funcionário da Casa Branca disse ao jornal americano que o conjunto de decretos executivos visa combater uma das fontes mais persistentes de inflação para os consumidores americanos. Embora os preços de ovos, leite e outros produtos tenham diminuído no último ano e meio, o preço da carne bovina continuou a subir. O preço da carne moída aumentou 40% em relação a cinco anos atrás.
Em fevereiro, o governo autorizou maiores importações de carne bovina da Argentina, numa tentativa de reduzir os preços internos.
A mudança na política para a carne bovina é a mais recente de uma série de reduções tarifárias destinadas a aliviar os custos para os consumidores americanos antes das eleições legislativas, em novembro. Anteriormente, o presidente Donald Trump isentou muitos produtos alimentícios de suas chamadas tarifas recíprocas e, em janeiro, adiou os aumentos planejados para produtos de madeira e móveis.
O presidente também reconfigurou as tarifas sobre aço e alumínio em 2026, na esperança de tornar esses insumos mais atraentes para as empresas, embora a medida tenha acabado aumentando o valor das taxas pagas por alguns produtos metálicos. Ele também não cumpriu a ameaça de aumentar sua tarifa mínima global de 10% para 15%.
Os preços do gado dispararam nos últimos anos, depois que os pecuaristas reduziram o tamanho de seus rebanhos ao menor nível em 75 anos, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA. No entanto, a demanda do consumidor por carne bovina permaneceu forte, contribuindo para o aumento dos preços nos supermercados.
Trump incumbiu seus assessores de encontrar soluções. O Departamento de Justiça iniciou uma investigação criminal contra os maiores frigoríficos dos EUA, após um pedido de Trump.
Trump corta tarifas de carne, café, tomate e banana nos EUAAbrir caminho para mais importações pode incomodar os pecuaristas, um eleitorado fiel ao presidente republicano. Grupos comerciais que representam os pecuaristas americanos se opuseram à medida do governo de permitir mais importações de carne bovina da Argentina e se opuseram a medidas mais abrangentes, alertando que uma entrada maciça de carne barata prejudicaria os pecuaristas americanos.
Os pecuaristas começaram a reduzir seus rebanhos depois que os preços do gado despencaram durante a pandemia e a seca devastou as pastagens. Os pecuaristas — que estão ganhando mais dinheiro do que nunca — têm se mostrado relutantes em reconstruir seus rebanhos, um processo que pode levar anos.
Analistas estimam que o rebanho bovino dos EUA só poderá crescer significativamente a partir de 2028. Mesmo assim, representantes da indústria da carne bovina afirmaram que é improvável que atinja os níveis alcançados antes de 2020.