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Exportação de soja: Em 2025, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil. (Scott Olson/Getty Images)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 23 de julho de 2026 às 11h52.
Os Estados Unidos devem perder a liderança global nas exportações do agronegócio para o Brasil — ainda neste ano — em razão da guerra comercial, da queda no preço das commodities e de mudanças estruturais no mercado mundial, sugere um artigo do Financial Times, com base em um levantamento da American Farm Bureau Federation (AFBF), principal entidade agrícola dos EUA.
Segundo o estudo, o aumento dos custos de produção deixou de ser um efeito temporário da inflação e das rupturas nas cadeias globais de suprimentos para se tornar uma característica estrutural da agricultura americana.
O estudo da entidade estima um prejuízo médio de US$ 341 por hectare para os produtores de soja em 2027, além de perdas de cerca de US$ 413 por hectare de milho, US$ 358 por hectare de trigo e US$ 1.003 por hectare de algodão, principais commodities agrícolas dos Estados Unidos.
A revisão mais recente do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou as estimativas de custo para todas as principais culturas na safra de 2026.
Segundo a AFBF, a principal explicação está na disparada dos gastos com combustíveis, lubrificantes, eletricidade e fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pelos impactos sobre o mercado global de energia.
Há ainda a alta do preço das terras. No Meio-Oeste, em estados como Illinois e Iowa, cerca de 75% dos agricultores trabalham em áreas arrendadas. Nesses estados, os custos cresceram 13% nos últimos cinco anos, o que levou as margens da soja, uma das principais commodities dos EUA, para o campo negativo.
Enquanto isso, o Brasil se aproxima de assumir a liderança mundial nas exportações agrícolas. Em 2025, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil.
Como as exportações brasileiras continuam crescendo — alta de 6% no primeiro semestre deste ano, alcançando US$ 87 bilhões — analistas ouvidos pelo jornal britânico estimam que 2026 pode marcar a ultrapassagem definitiva.
O texto do Financial Times atribui parte dessa mudança às políticas comerciais de Donald Trump. A guerra tarifária iniciada em 2018 levou a China a reduzir drasticamente as compras de soja americana e ampliar as importações brasileiras.
Em 2025, agricultores dos EUA alertaram para os impactos da guerra tarifária iniciada pelo republicano sobre a economia rural. Um dos efeitos foi a perda de competitividade da soja americana frente à brasileira, especialmente no mercado chinês.
Como resultado, o Brasil exportou 108,6 milhões de toneladas de soja, crescimento de 11% em relação a 2024. Desse total, a China comprou 80%.
Historicamente, o país asiático adquiria cerca de 70% da soja brasileira e dividia o restante das compras entre os Estados Unidos e outros países.
Além disso, os pedidos de falência no agronegócio dos Estados Unidos cresceram 46% em 2025 na comparação com 2024, segundo a American Farm Bureau Federation (AFBF). Os tribunais do país registraram 315 solicitações de falência no ano passado.
De acordo com o jornal, que ouviu economistas que já integraram o USDA, o avanço do Brasil ocorreu muito mais rapidamente do que as projeções indicavam.
Mesmo com o pacote de US$ 12 bilhões em subsídios concedidos aos agricultores durante o primeiro mandato de Trump, muitos produtores afirmam que o problema nunca foi a falta de ajuda financeira, mas a perda de mercados internacionais.
A reportagem também mostra que a agricultura americana depende cada vez mais do mercado doméstico. Cerca de 40% da produção de milho dos EUA é destinada ao etanol, sustentada por políticas públicas e por exigências de mistura de biocombustíveis. Agricultores entrevistados afirmam que hoje produzem mais energia do que alimentos.
Por outro lado, o artigo destaca que o Brasil consolidou sua posição como maior produtor mundial de soja, carne bovina e carne de frango. O país também ultrapassou os Estados Unidos nas exportações de algodão em 2025.
Entre os fatores que explicam esse avanço estão a possibilidade de realizar até três safras por ano em diversas regiões, a disponibilidade de terras, os ganhos tecnológicos e genéticos e a expansão da produção em Mato Grosso, principal polo de cultivo de grãos do país.
Outro efeito observado é a concentração fundiária. Fazendas menores desaparecem e são incorporadas por propriedades maiores, reduzindo o número de famílias no campo e enfraquecendo comunidades rurais, escolas, igrejas e o comércio local.
No ano passado, os EUA encerraram o ano com 1,865 milhão de fazendas — 15 mil a menos que em 2024, segundo o Farms and Land in Farms 2025 Summary, levantamento do USDA.
Ao mesmo tempo, a área total destinada à atividade agrícola caiu para 353,7 milhões de hectares, uma redução de 1,02 milhão de hectares na comparação anual.
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