Há poucas semanas, os cartões-postais de Santiago mostravam a Cordilheira dos Andes sem neve: um retrato da seca que já dura anos e que, em pleno inverno, obrigou as principais estações de esqui da região a suspender o turismo e o uso de 90% de suas pistas.
Agora, o mesmo país enfrenta o cenário contrário: rios transbordando, estradas interditadas e comunidades inteiras isoladas sob a água. Entre a falta de neve e o "dilúvio", o Chile se tornou um reflexo dos extremos que as mudanças climáticas vem impondo mundo afora.
O governo chileno declarou estado de catástrofe nas regiões mais atingidas pelo temporal na segunda-feira, 20, classificado pela Direção Meteorológica nacional como o mais severo em duas décadas pela intensidade e extensão geográfica.
Segundo balanço mais recente, a tempestade já deixou 13 mortos, sete desaparecidos, 2.281 pessoas deslocadas, 81 casas destruídas e 2.761 com danos graves.
Mais de 100 mil pessoas seguem isoladas por interdições em rodovias, e cerca de 87 mil ainda estão sem energia elétrica.
Em Atacama e Coquimbo, no norte desértico do país, as chuvas intensas são raras e paradoxalmente foram as regiões mais afetadas, junto com Biobío, Araucanía, Santiago e Viña do Mar.

Em Coquimbo, a combinação de água, lama e falta de energia comprometeu até o abastecimento de água potável, somando ao evento climático uma crise de acesso e saúde pública.
A combinação do El Niño e mudanças climáticas
Autoridades chilenas atribuem a intensidade do fenômeno à combinação entre o El Niño, que historicamente altera os padrões de chuva no Pacífico Sul, e o aquecimento global, ao tornar eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos em todo o continente.
"O que normalmente chove em um mês caiu em apenas uma hora, o que nos leva a classificar este episódio como de precipitações anormais e extremas", afirmou o subsecretário do Interior do Chile, Máximo Pavez.
Alicia Cebrian, chefe do escritório de emergência do Senapred, alertou que os cursos d'água seguem fragilizados: "ainda existe o risco de aumento do nível da água em alguns deles nos próximos dias", destacou à Reuters.
O contraste entre a seca prolongada e a enchente recorde reforça um padrão que cientistas têm associado às mudanças climáticas: a alternância mais brusca entre extremos, por vezes devastadores e que exigem adaptar as cidades e as infraestruturas para se tornarem mais resilientes.
No Rio Grande do Sul, o mesmo cenário se repete: o Rio Taquari volta a bater cota de inundação e milhares são afetados por uma chuva recorde que remete a pior tragédia da história gaúcha em maio de 2024.
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Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS)
(Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS))
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Homens movem pacotes em um barco através de uma rua inundada no centro histórico de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 14 de maio de 2024. Crédito: Anselmo Cunha / AFP)
(Homens movem pacotes em um barco através de uma rua inundada no centro histórico de Porto Alegre)
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Vista das áreas inundadas ao redor do estádio Arena do Grêmio em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 29 de maio de 2024. A água e a lama tornaram os estádios e sedes do Grêmio e Internacional inoperáveis. Sem locais para treinar ou jogar futebol, os clubes brasileiros tornaram-se equipes itinerantes para evitar as enchentes que devastaram o sul do Brasil. (Foto de SILVIO AVILA / AFP)
(Vista das áreas inundadas ao redor do estádio Arena do Grêmio em Porto Alegre)
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Vista aérea do centro de treinamento do Internacional ao lado do estádio Beira Rio em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 29 de maio de 2024. Foto de SILVIO AVILA / AFP
(Vista aérea do centro de treinamento do Internacional ao lado do estádio Beira Rio em Porto Alegre)
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Pessoas atravessam uma ponte flutuante para pedestres sobre o rio Forqueta, entre os municípios de Lajeado e Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul, Brasil, em 21 de maio de 2024. O Rio Grande do Sul experimentou um desastre climático severo, destruindo pelo menos seis pontes e causando interrupções generalizadas no transporte. O exército respondeu construindo pontes flutuantes para pedestres, uma solução temporária e precária para permitir que a infantaria atravesse rios durante conflitos. (Foto de Nelson ALMEIDA / AFP)
(Pessoas atravessam uma ponte flutuante para pedestres sobre o rio Forqueta)
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Ana Emilia Faleiro usa um barco para transportar suprimentos em uma rua inundada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, em 26 de maio de 2024. O estado sulista do Rio Grande do Sul está se recuperando de semanas de inundações sem precedentes que deixaram mais de 160 pessoas mortas, cerca de 100 desaparecidas e 90% de suas cidades inundadas, incluindo a capital do estado, Porto Alegre. (Foto de Anselmo Cunha / AFP)
(Ana Emilia Faleiro usa um barco para transportar suprimentos em uma rua inundada em Porto Alegre)
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Um homem limpa sua casa atingida pela enchente no bairro Sarandi, um dos mais atingidos pelas fortes chuvas em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 27 de maio de 2024. Cidades e áreas rurais no Rio Grande do Sul foram atingidas por semanas por um desastre climático sem precedentes de chuvas torrenciais e enchentes mortais. Mais de meio milhão de pessoas fugiram de suas casas, e as autoridades não conseguiram avaliar completamente a extensão dos danos. (Foto de Anselmo Cunha / AFP)
(Um homem limpa sua casa atingida pela enchente no bairro Sarandi)
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Alcino Marks limpa corrimãos sujos de lama após a enchente no bairro Sarandi, um dos mais atingidos pelas fortes chuvas em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 27 de maio de 2024. Esta é a segunda enchente histórica que Marks enfrenta aos 94 anos de idade. A primeira foi em 1941, quando ele morava no centro de Porto Alegre. Cidades e áreas rurais no Rio Grande do Sul foram atingidas por semanas por um desastre climático sem precedentes de chuvas torrenciais e enchentes mortais. Mais de meio milhão de pessoas fugiram de suas casas, e as autoridades não conseguiram avaliar completamente a extensão dos danos. (Foto de Anselmo Cunha / AFP)
(Alcino Marks limpa corrimãos sujos de lama após a enchente no bairro Sarandi)
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(Um trabalhador usa uma mangueira de alta pressão para remover a lama acumulada pela enchente)
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(Destruição no RS após chuvas e enchentes)
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Vista da estátua de José e Anita Garibaldi na inundada Praça Garibaldi, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 14 de maio de 2024. Foto de Anselmo Cunha / AFP
(Vista da estátua de José e Anita Garibaldi na inundada Praça Garibaldi)
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Resgate de pessoas afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, na Base Aérea de Santa Maria (RS).
(Resgate de pessoas afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, na Base Aérea de Santa Maria)
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Eduardo Leite: “Faremos de tudo para garantir que a reconstrução preserve nossas vocações”
(Eduardo Leite: “Faremos de tudo para garantir que a reconstrução preserve nossas vocações”)
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Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS)
(Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS))
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(Imagem aérea da destruição no Rio Grande do Sul - Força Aérea Brasileira/Reprodução)
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Setor elétrico: Aneel propõe medidas para melhorar resposta a desastres causados pelas mudanças climáticas para melhorar resposta a desastres causados pelas mudanças climáticas.
(Vista aérea mostrando a estrada ERS-448 inundada em Canoas)
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(Vista aérea mostrando a estrada ERS-448 inundada em Canoas, no estado do Rio Grande do Sul)