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Chile declarou estado de catástrofe para conter a pior enchente em duas décadas

Chuvas potencializadas pelo El Niño e pelas mudanças climáticas atingem regiões desérticas do norte do país e já deixaram 13 mortos e mais de 100 mil pessoas isoladas

Equipes de resgate atuam em área alagada no Chile, enquanto exército foi mobilizado após governo decretar estado de catástrofe (AFP)

Equipes de resgate atuam em área alagada no Chile, enquanto exército foi mobilizado após governo decretar estado de catástrofe (AFP)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 23 de julho de 2026 às 11h50.

Há poucas semanas, os cartões-postais de Santiago mostravam a Cordilheira dos Andes sem neve: um retrato da seca que já dura anos e que, em pleno inverno, obrigou as principais estações de esqui da região a suspender o turismo e o uso de 90% de suas pistas.

Agora, o mesmo país enfrenta o cenário contrário: rios transbordando, estradas interditadas e comunidades inteiras isoladas sob a água. Entre a falta de neve e o "dilúvio", o Chile se tornou um reflexo dos extremos que as mudanças climáticas vem impondo mundo afora.

O governo chileno declarou estado de catástrofe nas regiões mais atingidas pelo temporal na segunda-feira, 20, classificado pela Direção Meteorológica nacional como o mais severo em duas décadas pela intensidade e extensão geográfica.

Segundo balanço mais recente, a tempestade já deixou 13 mortos, sete desaparecidos, 2.281 pessoas deslocadas, 81 casas destruídas e 2.761 com danos graves.

Mais de 100 mil pessoas seguem isoladas por interdições em rodovias, e cerca de 87 mil ainda estão sem energia elétrica.

Em Atacama e Coquimbo, no norte desértico do país, as chuvas intensas são raras e paradoxalmente foram as regiões mais afetadas, junto com Biobío, Araucanía, Santiago e Viña do Mar.

Temporais recordes no Chile

Em Coquimbo, a combinação de água, lama e falta de energia comprometeu até o abastecimento de água potável, somando ao evento climático uma crise de acesso e saúde pública. 

A combinação do El Niño e mudanças climáticas

Autoridades chilenas atribuem a intensidade do fenômeno à combinação entre o El Niño, que historicamente altera os padrões de chuva no Pacífico Sul, e o aquecimento global, ao tornar eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos em todo o continente.

"O que normalmente chove em um mês caiu em apenas uma hora, o que nos leva a classificar este episódio como de precipitações anormais e extremas", afirmou o subsecretário do Interior do Chile, Máximo Pavez.

Alicia Cebrian, chefe do escritório de emergência do Senapred, alertou que os cursos d'água seguem fragilizados: "ainda existe o risco de aumento do nível da água em alguns deles nos próximos dias", destacou à Reuters.

O contraste entre a seca prolongada e a enchente recorde reforça um padrão que cientistas têm associado às mudanças climáticas: a alternância mais brusca entre extremos, por vezes devastadores e que exigem adaptar as cidades e as infraestruturas para se tornarem mais resilientes. 

No Rio Grande do Sul, o mesmo cenário se repete: o Rio Taquari volta a bater cota de inundação e milhares são afetados por uma chuva recorde que remete a pior tragédia da história gaúcha em maio de 2024.

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