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‘O maior risco é achar que essa vantagem é permanente’, diz Silvio Crestana sobre o agro brasileiro

Para o especialista e ex-diretor-presidente da Embrapa, o Brasil precisa transformar seu conhecimento científico em liderança tecnológica para se firmar como potência também na inovação do agronegócio

‘O maior risco é achar que essa vantagem é permanente’, diz Silvio Crestana sobre o agro brasileiro (Magnific/Reprodução)

‘O maior risco é achar que essa vantagem é permanente’, diz Silvio Crestana sobre o agro brasileiro (Magnific/Reprodução)

Publicado em 23 de julho de 2026 às 10h59.

Última atualização em 23 de julho de 2026 às 11h07.

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O Brasil consolidou-se como uma das maiores potências agrícolas do planeta. A transformação dos Cerrados em uma das maiores fronteiras produtivas do mundo colocou o país entre os principais fornecedores globais de alimentos, fibras e bioenergia. 

Ainda assim, esse reconhecimento recai sobre a capacidade de produzir em larga escala, não sobre a capacidade de inovar. Para especialistas, o desafio agora é fazer a ciência brasileira ser vista como diferencial competitivo tão relevante quanto a produtividade do campo.

Silvio Crestana, pesquisador da Embrapa Instrumentação e ex-diretor-presidente da Embrapa, acompanhou de perto essa trajetória. Físico de formação, reconhecido por introduzir a tomografia computadorizada na ciência do solo, afirma que a ciência tropical brasileira já é referência mundial, mas seu potencial de inovação ainda é subutilizado.

"O Brasil já é uma potência científica em agricultura tropical, embora esse patrimônio ainda seja mais reconhecido pela capacidade de produzir do que pela capacidade de inovar.", afirma Crestana.

Segundo ele, transformar esse conhecimento em liderança tecnológica global exige estratégia de médio e longo prazo, capaz de converter ciência em propriedade intelectual, plataformas digitais e soluções exportáveis.

Geopolítica e segurança alimentar

Em meio a disputas comerciais e à preocupação com o abastecimento global de alimentos, Crestana avalia que o maior ativo do agro brasileiro é a combinação entre recursos naturais, biodiversidade, capacidade empreendedora dos produtores, políticas públicas e ciência tropical reconhecida internacionalmente.

"O maior risco é imaginar que essa vantagem será permanente"Silvio Crestana.

Ele explica que a próxima liderança global dependerá da integração entre inteligência artificial, tecnologias digitais e as Ciências Ômicas, área que estuda o conjunto de genes, proteínas e demais moléculas dos organismos vivos. 

Somam-se microbiomas, bioinsumos (produtos de origem biológica usados no manejo agrícola) e o conceito de One Health, que trata a saúde humana, animal e ambiental como partes de um mesmo sistema.

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Convergência tecnológica

Questionado sobre qual tecnologia definirá a próxima transformação do agro, Crestana descarta a ideia de uma solução isolada.

"A próxima revolução não virá de uma tecnologia isolada, mas da convergência entre inteligência artificial, Ciências Ômicas, biotecnologia, sensores, satélites, robótica, Digital Twins e ciência climática", diz.

Os Digital Twins, ou gêmeos digitais, são réplicas virtuais de sistemas físicos, como uma lavoura, usadas para simular cenários e apoiar decisões antes de serem tomadas no campo. 

Para o pesquisador, a mudança recente não está na quantidade de dados disponíveis, hoje abundantes, mas na capacidade de transformá-los em decisões melhores diante de riscos que vão do clima à volatilidade de preços.

Da produtividade à capacidade adaptativa

Um exemplo prático é o ZARC (Zoneamento de Risco Climático), ferramenta que orienta produtores sobre as épocas mais seguras de plantio conforme o clima de cada região. Criado em período de maior estabilidade climática, o instrumento hoje convive com um ambiente menos previsível.

"O próximo passo não é substituir o ZARC, mas evoluí-lo, incorporando previsões climáticas, sensores, satélites, inteligência artificial, Digital Twins e modelos dinâmicos de manejo adaptativo", explica Crestana.

Para ele, formar profissionais capazes de integrar ciências agrárias, biológicas, exatas, computacionais e sociais é condição necessária para lidar com sistemas complexos e decisões sob incerteza.

SuperAgro 2026 debate os rumos do agronegócio brasileiro

As reflexões de Silvio Crestana serão aprofundadas no Super Agro 2026, evento que reúne lideranças do setor para debater as transformações que redefinem a produtividade no campo, da agricultura regenerativa à transição energética, do agro digital aos desafios climáticos.

O evento acontece em 11 de agosto de 2026, em São Paulo, reunindo executivos C-level, poder público, produtores, traders, indústria, varejo e fornecedores de insumos e tecnologias 

Para acompanhar o debate sobre ciência, mercado e geopolítica no agro, além das demais discussões da programação, participe do evento Super Agro 2026. 

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