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Por que mesmo com safra robusta de milho as exportações do cereal devem cair em 2026

Rabobank eleva a projeção da safra, mas vê dólar, frete e maior oferta pressionando os embarques e os preços

Colheita de milho: o banco elevou em 1 milhão de toneladas sua estimativa para a safra brasileira de milho, que agora deve alcançar 138 milhões de toneladas

Colheita de milho: o banco elevou em 1 milhão de toneladas sua estimativa para a safra brasileira de milho, que agora deve alcançar 138 milhões de toneladas

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 2 de julho de 2026 às 06h01.

O Brasil caminha para uma safra robusta de milho em 2026, mas o aumento da produção não deve significar maior ritmo de exportações. A combinação entre oferta elevada, valorização do real e aumento dos custos logísticos tende a reduzir os embarques e pressionar os preços no mercado doméstico, projeta o Rabobank.

Nesse cenário, o banco elevou em 1 milhão de toneladas sua estimativa para a safra brasileira de milho, que agora deve alcançar 138 milhões de toneladas, em razão do clima no Mato Grosso, um dos principais estados produtores do cereal no Brasil.

"A revisão reflete sobretudo, as condições climáticas favoráveis do milho safrinha em Mato Grosso, que compensaram parcialmente perdas de produtividade em outros estados", diz o relatório.

Apesar da perspectiva de uma colheita robusta, o Rabobank avalia que o cenário para as exportações é mais desafiador.

"Além da revisão positiva na produção, a valorização do real frente ao dólar configura-se como um fator relevante que pode limitar a competitividade das exportações brasileiras do cereal", afirma o banco.

Em meio à concorrência com Estados Unidos e Argentina, a o banco estima projeta que as exportações brasileiras atinjam cerca de 39 milhões de toneladas em 2026, queda de 3 milhões de toneladas em relação ao embarcado no ano passado.

Frete no agro

O cenário também preocupa na logística. Segundo o Rabobank, o aumento de mais de 10% no custo do frete rodoviário no primeiro semestre de 2026 deve pressionar os preços recebidos pelos produtores e desacelerar o ritmo de comercialização do milho.

Segundo o Rabobank, o encarecimento da logística também pode favorecer uma maior permanência do milho no mercado interno.

"Esse encarecimento logístico também pode favorecer uma maior retenção do milho no mercado doméstico, estimulando a aquisição por parte dos consumidores internos em detrimento das vendas destinadas ao mercado externo."

Com mais oferta e menor ritmo de exportações, o banco observa que os preços já começaram a reagir e registraram uma queda de 2% em maio.

Ao mesmo tempo, a demanda doméstica continua em expansão. O Rabobank estima que o consumo brasileiro alcance 97 milhões de toneladas em 2026, crescimento de cerca de 5% sobre o ano anterior, impulsionado principalmente pela indústria de proteína animal e pelo setor de etanol de milho.

Ainda assim, o banco avalia que o aumento da demanda não deve ser suficiente para eliminar a pressão sobre as cotações.

"Por fim, a confirmação de uma safra robusta poderá exercer pressão adicional sobre os preços internacionais, que tendem a permanecer mais sensíveis às variações cambiais e ao cenário macroeconômico global", afirma o relatório.

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