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O que deve mudar os preços da soja em 2026/27? O Itaú BBA tem uma aposta

Banco projeta produção de 182,4 milhões de toneladas, mas vê um mercado global ainda mais sensível ao clima e ao desempenho da safra de Mato Grosso

Colheita da soja em Mato Grosso: estado é um dos principais produtores de soja do Brasil (Alexis Prappas/Exame)

Colheita da soja em Mato Grosso: estado é um dos principais produtores de soja do Brasil (Alexis Prappas/Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 2 de julho de 2026 às 12h03.

O Brasil deve renovar o recorde na produção de soja em 2025/26, com 182,4 milhões de toneladas, mas, na avaliação do Itaú BBA, a possibilidade de um El Niño mais forte a partir de novembro de 2026 deve mudar esse cenário ao comprometer parte da produção e alterar a dinâmica dos preços no mercado internacional.

Para o banco, a principal variável da temporada está em Mato Grosso, estado responsável por aproximadamente um terço da produção nacional de soja.

"O fato de o El Niño ser forte é o que preocupa muito. Se ele for suficientemente forte para mexer com Mato Grosso, os preços devem mudar, como aconteceu em 2023", afirmou César de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Segundo ele, o mercado já considera uma safra robusta para o Brasil, mas uma quebra de produção no principal estado produtor teria potencial para alterar rapidamente as expectativas de oferta global.

O histórico recente reforça essa preocupação. Em 2023, Mato Grosso foi um dos estados mais afetados pelo El Niño. Naquele ano, a produção de soja recuou 7%, para 42,1 milhões de toneladas, em razão da combinação de chuvas irregulares e temperaturas elevadas, que comprometeram o desenvolvimento das lavouras.

Na avaliação do banco, um cenário semelhante seria o mais favorável para uma recuperação das cotações internacionais da soja, que recuam desde a safra 2024/25 diante do aumento da produção no Brasil e nos Estados Unidos, os dois maiores produtores da commodity.

No Brasil, os efeitos do El Niño não são os mesmos em todo o país. Enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

No Centro-Oeste, os impactos costumam ser menos intensos, embora temperaturas mais elevadas possam prolongar os períodos de estiagem e aumentar o risco de incêndios.

Embora a oferta mundial continue crescendo, o banco avalia que o equilíbrio entre produção e consumo está cada vez mais apertado.

O avanço da demanda, puxado pela produção de proteína animal e pelos biocombustíveis, reduz gradualmente a folga do mercado e aumenta a sensibilidade a qualquer problema climático.

"A oferta global de soja permanece elevada em 2026/27, com crescimento entre os principais países produtores. Mas a demanda continua firme e cresce praticamente no mesmo ritmo da produção", afirmou o Itaú BBA durante evento realizado nesta quinta-feira.

Como consequência, a relação entre estoques e consumo global deve cair para cerca de 28%, ante 29% na temporada 2025/26, indicando um mercado menos confortável para absorver eventuais perdas de produção.

"Nesse contexto, o mercado se torna mais sensível a choques climáticos. A intensificação do El Niño eleva o nível de atenção para a safra brasileira", afirma o banco.

Preços da soja

Mesmo diante das incertezas do El Niño o Itaú BBA mantém uma visão positiva para a produção brasileira na nova temporada. A expectativa é de que o país continue liderando o crescimento da oferta global de soja, sustentado por uma nova expansão da produção.

Por outro lado, a área plantada deve avançar apenas 0,5%, refletindo um ambiente de custos elevados, preços menos atrativos e menor disposição dos produtores para ampliar o plantio.

O aumento da safra, portanto, dependerá principalmente dos ganhos de produtividade, em um cenário de margens já apertadas para o produtor.

"Vivemos um cenário complexo, de anos seguidos de margens comprimidas e produtores fragilizados em praticamente todas as culturas", afirmou César de Castro Alves.

Segundo ele, caso o El Niño não provoque distúrbios relevantes na produção brasileira, a expectativa do banco é de continuidade desse ambiente de rentabilidade apertada.

"Esperamos margens menores se o El Niño não causar distúrbios na produção brasileira", disse o analista.

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