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Etanol de milho e R$ 6 bi em investimentos: os planos do Grupo Potencial até 2030

Com o novos investimentos, a previsão é de que o faturamento alcance R$ 20 bilhões em quatro anos

Usina de biodiesel do Grupo Potencial no Paraná: cerca de 15% de toda a soja produzida no Paraná passa, direta ou indiretamente, pela empresa. (Grupo Potencial/Divulgação)

Usina de biodiesel do Grupo Potencial no Paraná: cerca de 15% de toda a soja produzida no Paraná passa, direta ou indiretamente, pela empresa. (Grupo Potencial/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 25 de março de 2026 às 06h00.

O anúncio veio como mais um passo de um plano que já estava em curso. Nesta quarta-feira, 25, o Grupo Potencial — com atuação em energia, combustíveis e agronegócio — colocou no papel um novo salto: investir R$ 6 bilhões até 2030.

A ideia, segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, de Relações Institucionais e de Novos Investimentos, é aprofundar um modelo que a companhia vem construindo há anos — integrar todas as pontas da cadeia e ganhar escala em um mercado que cresce rapidamente.

Hoje, o grupo já ocupa uma posição de destaque. É o maior produtor de biodiesel em planta única da América Latina, com capacidade próxima de 1 bilhão de litros por ano. Para se ter uma ideia do tamanho da operação, cerca de 15% de toda a soja produzida no Paraná passa, direta ou indiretamente, pela empresa.

Esse avanço também aparece nos números. Em 2025, o faturamento cresceu 15% e chegou a R$ 12 bilhões. Com o novos investimentos, a previsão é de que o faturamento alcance R$ 20 bilhões em quatro anos.

Segundo o VP, Por trás desse crescimento está uma estratégia clara: crescer de forma modular e verticalizar a operação. Na prática, isso significa conectar diferentes etapas do negócio — do esmagamento de soja à produção de biodiesel, passando por etanol de milho, óleo degomado, DDGS, biogás e logística.

“Estamos consolidando um modelo industrial totalmente integrado, que começa no campo e termina na geração de energia limpa. Essa verticalização nos garante eficiência, competitividade global e segurança de suprimento”, afirma Hammerschmidt.

O timing não é por acaso. O plano ganha força em um momento especialmente favorável para o etanol no Brasil — principalmente o produzido a partir do milho. O país já está entre os maiores produtores globais do biocombustível, com cerca de 36 bilhões de litros por ano. Desse total, 72% vêm da cana-de-açúcar e 28% do milho, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

E a participação do milho cresce em ritmo acelerado. Na safra 2020/2021, eram 2,6 bilhões de litros. Em poucos anos, esse volume praticamente quadruplicou — um movimento que ajuda a explicar a aposta do Grupo Potencial.

Dentro do plano, os números chamam atenção: a capacidade projetada inclui até 1 bilhão de litros de etanol, 1,7 bilhão de litros de biodiesel, 500 milhões de litros de óleo degomado e 9 milhões de metros cúbicos de biogás.

Mais do que volumes isolados, a proposta, segundo o VP,  é amarrar tudo em um único sistema industrial, conectando soja, milho e geração de energia renovável.

O ambiente regulatório também joga a favor. Desde agosto de 2025, está em vigor a Lei do Combustível do Futuro, que amplia a mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, além de incentivar alternativas como o diesel verde e o combustível sustentável de aviação (SAF).

Na prática, a legislação traz previsibilidade e destrava investimentos no setor, ainda que o governo tenha adiado as discussões sobre o aumento de B15 para B16 neste ano.

Os números do mercado reforçam essa tendência. Hoje, o Brasil tem 25 usinas de etanol de milho em operação, além de 18 em construção e 19 em fase de projeto. Juntas, elas podem elevar a capacidade instalada para 24,7 bilhões de litros até 2034, processando cerca de 56,6 milhões de toneladas do grão, segundo a Datagro.

O plano de R$ 6 bi

A expansão, no entanto, não acontece de uma vez. O plano foi desenhado em etapas, diz Hammerschmidt.

O primeiro marco desse novo ciclo já saiu do papel: a inauguração de uma nova esmagadora de soja e da segunda maior planta de glicerina refinada do mundo, que marca o início das operações das novas estruturas.

Ao final do ciclo, o complexo deve processar 14.200 toneladas de grãos por dia — cerca de 4,7 milhões de toneladas por ano —, uma fatia relevante da produção de soja e milho do estado.

Na mesma linha, a produção de farelo de soja e DDGS de milho deve alcançar 2,56 milhões de toneladas anuais.

Os próximos capítulos já estão definidos. Até o fim de 2026, o grupo prevê colocar de pé uma terceira planta de biodiesel, uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) em circuito fechado, além de dutos para transporte de biocombustíveis e gás.

Depois, em 2028, vem a próxima virada: a expansão da produção de etanol de milho, reforçando a diversificação energética e fechando ainda mais o ciclo da agroenergia.

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