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Agro dos EUA vê piora na renda e queda na confiança dos produtores

Índice geral recuou de 127 pontos em março para 121 pontos em abril, refletindo um maior pessimismo no curto prazo, mostra pesquisa

O anúncio de Trump ocorre em um momento em que os frigoríficos americanos enfrentam um dos períodos mais difíceis do ciclo pecuário nos Estados Unidos. (AFP Photo)

O anúncio de Trump ocorre em um momento em que os frigoríficos americanos enfrentam um dos períodos mais difíceis do ciclo pecuário nos Estados Unidos. (AFP Photo)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 11 de maio de 2026 às 14h32.

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Depois de subir 9 pontos percentuais em março, a confiança do agricultor dos Estados Unidos caiu em abril, segundo o Ag Barometer, levantamento da Universidade de Purdue em parceria com o CME Group. O motivo: a guerra no Irã e o preço dos insumos.

O índice geral recuou de 127 pontos em março para 121 pontos no mês passado, refletindo maior pessimismo no curto prazo entre os produtores. A deterioração não ficou restrita à percepção geral.

Apenas 15% dos produtores afirmaram estar em melhor situação do que no ano anterior, enquanto 28% esperam uma piora no desempenho financeiro nos próximos 12 meses — o saldo negativo indica um viés mais pessimista para a renda agrícola, uma medida ampla de lucratividade.

Mas a queda da renda agrícola dos produtores americanos não é recente. Depois de atingir um recorde em 2022, a renda líquida agrícola, caiu por três anos consecutivos, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A expectativa era de que a receita dos agricultores se recuperasse em 2025, em grande parte em função dos pagamentos de alívio de desastres do governo, destinados a compensar danos causados por furacões e outras tempestades.

No ano passado, o governo de Donald Trump liberou um pacote de US$ 12 bilhões para apoiar os produtores, valor considerado insuficiente para cobrir os custos. Com despesas elevadas e receita pressionada, as margens de lucro seguem apertadas.

A pesquisa também mostra que os custos de produção seguem como principal preocupação para quase metade dos produtores (46%). Ao mesmo tempo, cresceu o receio com a disponibilidade de insumos, movimento associado às incertezas no cenário internacional.

A guerra no Irã, um dos principais produtores globais de ureia, fertilizante utilizado na produção de milho, do qual os EUA são o principal produtor global, aparece como um fator central nesse contexto.

Entre os produtores de milho, o efeito já começa a ser precificado: a maioria projeta aumento nos custos, com 37% esperando alta superior a 10%.

Diante desse cenário, o produtor tem adotado uma postura mais defensiva. O índice de investimento em capital caiu para 44 — o menor nível desde outubro de 2024 — indicando queda na disposição para adquirir máquinas e expandir operações.

Agro dos EUA

O resultado do levantamento evidencia uma situação difícil para o agro americano, que sofre com margens comprimidas e dificuldades para exportar para a China em função da guerra tarifária iniciada por Trump em 2025.

Como reflexo, as exportações de soja dos EUA para a China caíram de 25 milhões de toneladas para 8 milhões de toneladas no ano passado, com o Brasil suprindo a demanda chinesa pela oleaginosa.

Além da soja, o milho — outra importante commodity agrícola exportada para o país asiático — perdeu espaço para o cereal russo, que dominou os embarques chineses em 2025.

O estudo da Universidade de Purdue mostra que dois terços dos entrevistados esperam que o conflito no Irã reduza a renda líquida das fazendas neste ano, principalmente pelo impacto sobre fertilizantes e energia.

Isso se soma às margens apertadas dos produtores, especialmente de soja, que viram seus retornos caírem em razão do aumento de custos. No Meio-Oeste, em estados como Illinois e Iowa, cerca de 75% dos agricultores são arrendatários. Por lá, os custos cresceram 13% nos últimos cinco anos, o que levou as margens a ficarem negativas, segundo estudo da Universidade de Purdue.

O reflexo já aparece nas fazendas. No ano passado, os pedidos de falência no agronegócio dos Estados Unidos cresceram 46% na comparação com 2024, segundo a American Farm Bureau Federation (AFBF), uma das principais entidades do setor no país.

Segundo a AFBF, os tribunais dos EUA registraram 315 solicitações de falência no período. No país, os processos são fundamentados no Capítulo 12 da legislação americana, criado exclusivamente para produtores rurais e pescadores familiares.

O cenário também parece pouco promissor no médio prazo. O USDA estima que a dívida agrícola total aumentará 5,2% neste ano, alcançando o recorde de US$ 624,7 bilhões — o que reforça a necessidade de apoio financeiro aos produtores nas condições atuais.

Além disso, uma pesquisa do Federal Reserve (Fed) mostra que os empréstimos agrícolas cresceram 40% no último trimestre de 2025.

O valor médio desses financiamentos foi 30% superior ao do ano anterior, indicando que os produtores estão recorrendo a volumes maiores de crédito para cobrir custos operacionais, segundo o banco central americano.

A piora não se limita ao curto prazo. A pesquisa mostra queda na confiança em relação ao futuro, com recuo nas expectativas sobre valorização das terras agrícolas e menor percepção de que a economia está na direção certa.

Além disso, apenas 37% dos produtores acreditam em “bons tempos” nos próximos cinco anos — uma queda significativa em relação ao ano anterior.

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