Quase 30% da população brasileira encontra-se endividada (DircinhaSW/Getty Images)
Pouco mais de sete meses do ano já se passaram e muitas pessoas estão preocupadas com as finanças, mas não sabem por onde começar para não terminar o ano no vermelho. Dados do Serasa divulgados no início deste mês, referentes a maio, revelam que 62,56 milhões de brasileiros estão inadimplentes. O valor médio das dívidas por pessoa é de 3.900 reais.
Se você faz parte dessa estatística e está inadimplente -- ou se quer aprender a economizar para fazer o seu dinheiro render mais --, essa é sua oportunidade de aprender com quem é referência no assunto. A EXAME Invest conversou com o educador financeiro do BTG Pactual, André Bona, que deu dicas para quem quer fechar 2021 no azul, com dinheiro no bolso.
A primeira tarefa para quem possui uma renda mensal fixa é separar os seus gastos mensais, categorizando-os da seguinte forma:
Após separar os gastos mensais, é preciso parar imediatamente de fazer qualquer tipo de parcelamento. “Ao fazer isso, a pessoa vai ver ao longo dos meses que os parcelamentos vão terminando. Isso vai fazer com que ela acabe com grande parte ou a totalidade das dívidas que tem para honrar, o que já vai criar um fluxo de dinheiro livre no orçamento, que antes estava comprometido com os parcelamentos”, destaca Bona.
Com este fluxo de dinheiro, que antes estava sendo tomado pelos parcelamentos, você poderá começar a se preparar para quitar suas dívidas de longo prazo. Bona explica que, a cada gasto que for equitado pela pessoa, o dinheiro livre em seu orçamento aumentará, dando até a impressão de que ela recebeu um aumento de salário. “Eliminar os parcelamentos vai requerer um pouco de esforço no começo, mas vai fazer a pessoa passar o ano já bem tranquila”, afirma o educador financeiro.
Segundo Bona, a pessoa que está no zero a zero -- aquela que não tem dívidas, mas também nunca tem um dinheiro sobrando -- deve, primeiramente, identificar oportunidades no orçamento. Ou seja, encontrar as chamadas “torneiras financeiras”.
“Normalmente, a pessoa encontra alguns gastos que poderiam ser melhorados em seu orçamento. Não que ela precise diminuir a qualidade de vida ou segurar, mas ela pode olhar o próprio orçamento e ver se tem algum ponto em que o seu dinheiro está indo para o ralo”, explica.
As torneiras financeiras não são exclusivas de quem está sempre no zero a zero nas finanças. Às vezes, por desorganização, quem está no azul também pode ter custos mais elevados, sem necessidade. “Por exemplo, a pessoa que tem o hábito de não se programar para fazer as compras no mercado. Todo dia chega em casa e fala: ‘não tenho nada para comer’. O que ela vai fazer? Ou vai em uma padaria ou vai pedir no aplicativo e acabar gastando mais”, explica Bona.
“A dica é cortar custos, mas os corretos, não os irrelevantes. Um exemplo é o do serviço de streaming. Muitas vezes, as pessoas cortam este custo que, na verdade, é barato, proporciona um lazer interessante para a família, e não vale a pena cortar”, complementa.
Resumindo, se você gasta tudo o que recebe (e não por necessidade), você deve:
Por último, é necessário montar sua reserva de emergência. "Quem está no zero a zero precisa começar a construir uma carteira de investimentos financeiros com a finalidade de fazer uma proteção, uma blindagem financeira, e não com a finalidade de obter grandes retornos no longo prazo”, salienta Bona.
O ideal é ter guardado o equivalente a seis meses dos seus custos fixos mensais. Isso é importante porque, às vezes, a pessoa gasta todo o seu salário, sem poupar. E é aí que mora o perigo. Qualquer imprevisto que venha ocorrer na vida de alguém que não tem uma reserva pode causar o endividamento.
Para montar a reserva de emergência o mais indicado é alocar em investimentos conservadores, que são os que trazem mais segurança para essa finalidade. Eles precisam oferecer baixo risco de crédito, baixa volatilidade e a possibilidade de resgate a qualquer momento (alta liquidez).
Além disso, os rendimentos devem superar a inflação ou chegar o mais próximo disso. Portanto, busque investimentos que rendam pelo menos 100% da Selic, taxa básica de juros da economia.
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