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Impacto do YouTube no PIB brasileiro foi de R$ 3,4 bi em 2020

Estudo inédito mostra também que plataforma gerou mais de 122 mil empregos no ano passado e se tornou parte da estratégia de desenvolvimento de pequenas empresas e negócios

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Eliseu Pereira construiu uma sólida carreira como criador de conteúdo e youtuber. Seu canal agremiou, nos últimos 5 anos, mais de 800.000 assinantes e ele emprega duas pessoas que o ajudam na produção dos vídeos. A história tem origem em Divisópolis, uma cidade de 10.000 habitantes na fronteira entre Minas Gerais e a Bahia.

Pereira é dono do canal Oficina Caipira, em que ensina técnicas de marcenaria, promove vídeos de aventuras no interior do país e dá o passo-a-passo para pôr de pé construções e estruturas — seja um fogão e forno à lenha ou um banco de madeira.

O YouTube começou na vida de Pereira por acaso. O criador, que trabalhou por quase 10 anos na indústria de construção civil, tinha a marcenaria como hobby e gravou o processo de produção do primeiro projeto: a bancada da própria oficina. Zeloso e atento aos detalhes, ganhou seguidores que pediam mais conteúdo. “Todo o sustento da minha casa, minha família, vem do canal. Antes eu não podia ajudar um parente, meus pais, quando precisavam de um medicamento ou um exame. Hoje eu posso”, conta Pereira, que também afirma ter comprado um carro e firmado parcerias com grande marcas de ferramentas, como a Bosch.

A história de Pereira é apenas uma dentre tantas do YouTube no país que o mostram o tamanho que a plataforma tomou. Um estudo inédito, encomendado pela empresa junto à consultoria Oxford Economics, mostra que, no Brasil, o mercado em torno do YouTube impactou o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 em 3,4 bilhões de reais, gerando 122.000 empregos.

O efeito é sentido também por empresas e profissionais, cuja estratégia de comunicação e diálogo com consumidores passa cada vez mais pela plataforma. Segundo apurou a Oxford Economics, 87% das empresas que possuem um canal afirmam que o YouTube as ajuda a entender seu público , 85% dizem que conseguiram aumentar a base de clientes e 92% dizem ser encontrados mais facilmente.

Os dados e o próprio canal de Pereira evidenciam uma realidade sobre o consumo de vídeos no YouTube. Se há alguns anos, havia influenciadores e criadores de conteúdo dedicados à vida de “vlogs”, hoje é cada vez mais comum que a plataforma componha uma estratégia de desenvolvimento de negócios e de profissionais que escolhem se comunicar por vídeos.

“Vimos uma evolução. A primeira esfera importante do relatório é o crescimento sustentável e saudável da plataforma, com criadores virando empreendedores e empresas virando criadores”, disse Patrícia Muratori, diretora do YouTube no Brasil.

Embora seja a primeira vez que a pesquisa da Oxford Economics para o YouTube seja realizada no Brasil, o levantamento já foi feito em outros países como Estados Unidos, Canadá e Austrália. Nos EUA, dados de 2019 mostram que o impacto do YouTube no PIB foi de 16 bilhões de dólares e que a empresa havia pago mais de 30 bilhões de dólares aos criadores nos últimos anos. 

Salvas as diferenças entre o mercado de mídia brasileiro e o americano, os dados por aqui são uma fração de lá e podem denotar que haja espaço para crescer a economia de criadores de conteúdo no YouTube no Brasil.

Os dados divulgados trazem uma dimensão nesse sentido: o número de canais que faturam mais de 10.000 reais em publicidade em um ano cresceu 70% em 2020. Já são mais de 2.000 canais que têm 1 milhão de assinantes no Brasil, alta de 30%. Do lado das empresas, tem sido cada vez mais comum parcerias e inserções publicitárias.

De acordo com Muratori, o YouTube vem se especializando e conta com times para conteúdo e auxílio a criadores em diferentes temas, como entretenimento, saúde, jogos, esportes, educação e jornalismo. “São diversos tipos de conteúdo e temos especialistas que ajudam os criadores a serem mais eficientes em seus negócios na plataforma”, disse.

Mas, acima dos aspectos econômicos e de negócios, o YouTube tem se mostrado uma plataforma diversa culturalmente, o que é percebido pelos usuários. 94% deles acredita que os vídeos são ricos nesse sentido e 78% dizem ter acesso a conteúdo que não está disponível em mídias mais tradicionais. “A plataforma busca dar voz a todos os tipos de conteúdo, ajudar nas recomendações através de nossos mecanismos, e ter um papel de enaltecer vozes”, diz Muratori. Por mais canais como o de Eliseu Pereira Brasil afora.

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